Missão da ONU no Iraque diz que líderes têm de ouvir a voz do povo
BR

8 agosto 2018

Representante especial do secretário-geral, Jan Kubis, falou ao Conselho de Segurança sobre a recontagem de votos encerrada na segunda-feira; eleições de 12 de maio recebeu reclamações e alegações de fraude eleitoral e má administração.

Os líderes do Iraque devem escutar a voz da população do país. Esta foi a recomendação do representante especial do secretário-geral no Iraque, Jan Kubis.

Ele falou ao Conselho de Segurança, nesta quarta-feira, quase três meses após as eleições parlamentárias de 12 de maio.

Representante especial do secretário-geral, Jan Kubis, by Foto ONU/Eskinder Debebe

Profissionalismo

Jan Kubis lembra que a recontagem dos votos ocorreu de forma ordenada, transparente e crível. Ele elogiou a dedicação e o profissionalismo do pessoal eleitoral.

Após as eleições, houve uma série de reclamações sobre fraude e má administração do pleito levando à recontagem oficial. A Missão da ONU no Iraque, Unami, ofereceu apoio técnico e supervisão durante o processo.

Kubis também comentou os protestos em Basra e outras áreas do sul do Iraque, que resultaram na morte de 18 pessoas e deixaram 519 feridas nos últimos meses. Ele ressaltou ações de resposta rápida a demandas populares o que levou a um certo alívio da situação.

Mas para ele, os iraquianos continuam achando que não foi feito o suficiente e seguem com demandas em várias áreas.

Governo inclusivo

Para o enviado especial, os líderes políticos têm de ouvir o povo e aproveitar a oportunidade para acelerar o processo de formação de um governo inclusivo, não-sectário, patriota e nacional. E que coloque os recursos do Iraque à disposição do povo.

Para Jan Kubis, é preciso assegurar ainda que as mulheres, especialmente, tenham acesso a posições de liderança no Iraque e que não sejam esquecidas nos projetos de reconstrução e recuperação do país. Para ele, as mulheres devem ter papéis fundamentais no futuro da nação, que deve muito a elas.

Sequestros

O enviado especial disse ainda que a situação de segurança e direitos humanos continua volátil com ataques terroristas esporádicos a civis e entidades do governo, além de sequestros.

Ele disse que é preocupante que mesmo com a queda da violência no ano passado, o número de ataques terroristas, conflito armado e outras ações violentas esteja aumentando.

Para Kubis é inaceitável que a luta de mais de 3,1 mil yazidis, que ainda estão sob poder do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ou Daesh, incluindo os que desapareceram desde que a região do norte do Iraque passou a ser controlada pelo grupo terrorista em agosto de 2014.

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Violência política no Iraque é inaceitável (Português para o Brasil)

Em duas semanas, dois candidatos às eleições locais, do próximo dia 31, foram assassinados.~~

Comissão alerta sobre crimes eleitorais no Iraque

Ameaças, subornos e intimidações podem ser punidos com pelo menos 1 ano de prisão; destruir pôster de candidato também é infração.