ONU confirma vítimas fatais em ataque aéreo ao maior hospital do Iêmen

3 agosto 2018

Segundo coordenadora humanitária para o Iêmen, centenas de milhares de pessoas dependem deste centro para sobreviver; ataques a instalações de saúde arriscam combate a surto de cólera; 500 mil pessoas devem ser vacinadas em campanha de três dias, que começa sábado. 

O maior hospital do Iêmen, na cidade portuária de Hodeida, foi bombardeado na quinta-feira, causando vários mortos e feridos.

A coordenadora humanitária para o Iêmen, Lise Grande, considerou o ataque “chocante”. Ela lembrou que os hospitais estão protegidos pela lei internacional e que nada justifica essa perda de vidas.

Enviado especial para o Iêmen, Martin Griffiths, by Foto ONU/Eskinder Debebe

Perigo

O hospital Al Thawra acolhe um dos melhores centros de tratamento de cólera do país. Segundo a coordenadora, centenas de milhares de pessoas dependem do hospital para sobreviver.

Em nota, Lise Grande avisou que todos os dias desta semana surgiram novos casos de cólera e que “o impacto dos ataques é terrível”. A coordenadora afirmou que “tudo o que está sendo feito para conter a pior epidemia de cólera do mundo está em risco.”

Grande lembrou que “todas as partes são obrigadas a fazer tudo para proteger a infraestrutura civil e que “esse não é um compromisso voluntário”. 

Vacinação 

Esta sexta-feira, a Oganização Mundial da Saúde, OMS, pediu uma pausa nos combates para que possa acontecer uma campanha de vacinação oral. Mais de 500 mil pessoas devem receber a vacina em uma operação de três dias que começa sábado.

Falando a jornalistas em Genebra, na Suíça, o diretor-geral adjunto de Preparação e Resposta a Emergências da OMS, Peter Salama, disse que campanhas semelhantes foram feitas no sul do país, mas nunca no norte.

Salama explicou que o nível de infecção "não está no nível massivo" do ano passado, mas que as pessoas estão mais fracas e menos capazes de lidar com a infecção. 

O funcionário da OMS afirmou que "aconteceram duas grandes ondas de epidemias de cólera nos últimos anos e, infelizmente, os dados que vimos nos últimos dias sugerem que podemos estar à beira de uma terceira grande onda.”

Negociações

Na quinta-feira, foi anunciada uma primeira ronda de consultas com as partes envolvidas no conflito. O encontro está marcado para 6 de setembro em Genebra, na Suíça.

O enviado especial para o Iêmen, Martin Griffiths, disse que “falou com todos os lados, estudou os esforços passados e sabe o que pode funcionar.” Ele afirmou ter a certeza de que existe espaço para uma solução política.

Vitimas

Mais de 28 mil iemenitas foram mortos ou feridos desde 2015. A ONU registou a morte de 9,5 mil civis, a maioria vítimas de ataques aéreos.

O Iêmen é a pior crise humanitária do mundo. Cerca de 22 milhões de pessoas, 75% da população, precisam de assistência e proteção humanitária, incluindo 8,4 milhões que não sabem se terão a próxima refeição.

 

 

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