Conselho de Segurança recebe alerta sobre mortes de crianças em guerra na Síria

27 julho 2018

Representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflito Armado, Virginia Gamba, e subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, chamaram a atenção para o alto número de mortes; desde o início do conflito, pelo menos 7 mil crianças perderam a vida ou foram mutiladas.

O Conselho de Segurança debateu esta sexta-feira a situação das crianças na Síria, onde pelo menos 7 mil meninos e meninas perderam a vida ou foram mutilados desde o início do confronto em 2011.

No encontro, a representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflito Armado, Virginia Gamba, afirmou que “as crianças da Síria continuam a ser afetadas de forma desproporcional por este conflito”.

Abusos

Gamba disse que o Mecanismo de Monitoramento e Relato apenou verificou a morte e mutilação de 7 mil crianças, mas a quantidade real pode ultrapassar 20 mil crianças.

Desde o início do ano, o Mecanismo registou 1,2 mil violações, incluindo mais de 600 mortes ou mutilações. Mais de 60 escolas e 100 hospitais, e pessoal médico foram vítimas de ataques.

Representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflito Armado, Virginia Gamba., by ONU/Rick Bajornas

Segundo Virginia Gamba, estes ataques “têm sido uma das grandes características do conflito”. A guerra deixa 2,1 milhões de crianças no país fora da escola.

Gamba explicou que a maioria destas violações aconteceu durante surtos de violência que resultaram em centenas de milhares de deslocados.

Recrutamento

A representante também informou que o recrutamento de crianças para grupos armados aumentou muito. No nordeste do país, cerca de 1,3 mil crianças estão detidas por grupos armados.

Segundo ela, no primeiro trimestre do ano, o recrutamento e uso de crianças cresceu 25% em relação ao trimestre anterior. No mesmo período, o número de mortes e mutilados subiu 348%.

No total, as violações graves duplicaram nos primeiros três meses do ano. Segundo ela, todo o recrutamento de crianças é atribuído a grupos armados, enquanto a maior parte das mortes e mutilações são causadas por forças do governo ou favoráveis ao governo.

No final, Virginia Gamba afirmou que “a violência que estas crianças têm sofrido é inaceitável”. Segundo ela, “é tempo de as crianças acreditarem no seu futuro e aprenderem o que é a paz”.

Ajuda

Por sua vez, o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse que o sofrimento destes meninos e meninas “é verdadeiramente inimaginável”. Para ele, “garantir que os seus direitos são respeitados, protegidos e cumpridos deve estar no centro de todos os esforços”.

Lowcock também informou sobre os últimos esforços humanitários no país.

A ONU e os seus parceiros mobilizaram uma resposta que está a ajudar dezenas de milhares de pessoas na região sudoeste. Apesar disso, cerca de 110 mil pessoas deslocadas nas últimas semanas em Quneitra continuam em áreas onde a ajuda não chega.

Em Alepo e Idlib, o subsecretário-geral disse que chegaram 600 mil novos deslocados desde novembro do ano passado. Existem agora 4,2 milhões de pessoas que precisam de ajuda humanitária. 

Segundo ele, a ajuda alimentar chegou a mais de 3 milhões de pessoas no mês passado, mas as necessidades em muitas áreas continuaram a crescer, particularmente nas zonas sudoeste e noroeste.

Lowcock afirmou ainda que as necessidades de financiamento para este ano continuam por cumprir e enfatizou a necessidade de acesso seguro, desimpedido e sustentado às populações mais vulneráveis.

 

 

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