Faltam fundos para garantir qualidade de vida dos refugiados rohingya até ao final do ano

25 julho 2018

Aviso é do coordenador humanitário da Organização Internacional para Migrações, OIM, Manuel Pereira; vivem em Cox’z Bazar, no Bangladesh, quase 900 mil refugiados desta minoria étnica.

O coordenador humanitário da Organização Internacional para Migrações, OIM, Manuel Pereira, afirma que faltam fundos para garantir qualidade de vida dos refugiados rohingya no Bangladesh até ao final do ano.

Em declarações exclusivas à ONU News, de Cox’s Bazar, Pereira explica que o Programa de Resposta Humanitária para 2018, preparado pela comunidade internacional, ainda só recebeu 27% do financiamento requisitado.  

Financiamento

“É um financiamento insuficiente. Há grandes necessidades em termos de atividades de água e saneamento, de saúde, de desenvolvimento e gestão dos campos, mas também de proteção e apoio psicossocial para os refugiados. É muito importante que a comunidade internacional desenvolva esforços conjuntos para aumentar este financiamento”.

No início de julho, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, esteve nos acampamentos de refugiados do distrito de Cox's Bazar acompanhado pelo presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.

Manuel Pereira diz que “estas visitas são muito importantes porque alertam a comunidade internacional” para o facto que “não existe financiamento suficiente para garantir a qualidade de vida dos refugiados até ao final do ano”.

O chefe da ONU visitou um acampamento de refugiados rohingya durante uma visita a Bangladesh.
O chefe da ONU visitou um acampamento de refugiados rohingya durante uma visita a Bangladesh., by Unfpa Bangladesh/Allison Joyce

“Neste momento, estamos em risco de ter que parar serviços para garantir a sustentabilidade dos mesmos até ao final do ano. A situação não é tranquilizadora, mas não vamos baixar os braços. Estamos juntos com os refugiados e com o governo do Bangladesh”.

Monções

A OIM e seus parceiros trabalham nos acampamentos para proteger os refugiados durante a época das monções, que deixou centenas de milhares de pessoas em risco devido a cheias e deslizamentos de terras.

O coordenador humanitário afirma que foram feitos progressos significativos nas condições básicas de vida destas comunidades, incluindo nos abrigos e na expansão de serviços médicos, água, saneamento e proteção.

Segundo Manuel Pereira, “apesar de todos os esforços feitos, o trabalho continua” porque ainda faltam quase dois meses de monção e depois segue-se a época de ciclones.

Colaboração

Nos últimos meses, a OIM desenvolveu a iniciativa Plataforma de Engenharia e Manutenção do Campo com o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e a Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

Pereira diz que o projeto “tem como principal objetivo garantir o acesso durante a época das monções às populações mais vulneráveis, mas também preparar terreno para relocalizar famílias que estão em áreas do campo em maior risco”.

Segundo ele, este projeto já permitiu garantir a qualidade da principal estrada que atravessa o acampamento de Kutupalong, considerado o maior do mundo. A outra conquista foi criar áreas mais seguras para cerca de 4 mil famílias.

 

 

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