“Ação climática é urgente para prevenir conflitos e garantir a paz” BR

Vice-chefe da ONU defende visão conjunta e compromisso de países com cooperação multilateral; no Conselho de Segurança, Amina Mohammed pediu investimento para dar mais poder a mulheres e jovens.
A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, advertiu aos países sobre o “risco de estarem envolvidos em um ciclo de conflito e desastres climáticos”.
A representante acrescentou que “a ação climática é urgente e faz parte da criação de uma cultura de prevenção e garantia da paz”.
Em sessão do Conselho de Segurança que abordou riscos de segurança relacionados ao clima, ela disse estar “claro que a mudança climática é uma ameaça real e ocorre em ritmo implacável”.
Amina Mohammed pediu ação dos países em “visão conjunta e compromisso com a cooperação multilateral”. Para ela, essa é a única oportunidade “para que o mundo encontre soluções eficazes e sustentáveis” para enfrentar esse desafio.
Em seu discurso, Amina Mohammed mencionou ainda as conclusões da Organização Meteorológica Mundial, OMM, confirmando que 2015, 2016 e 2017 foram os três anos mais quentes já registrados.
Ela citou o aumento do nível de concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que expõe o mundo ao “risco crescente de ondas de calor, inundações, secas e incêndios” que agora acontecem com mais frequência.
A vice-chefe da ONU disse que, apesar de o impacto da mudança climática se espalhar de maneira desigual pelas diferentes regiões, “nenhum país será poupado de suas consequências a longo prazo”.
Ela falou ainda de efeitos desproporcionais dessas alterações em grupos socialmente vulneráveis e marginalizados.
Para a representante, a mudança climática está ligada não apenas às questões ambientais, mas também à insegurança alimentar e aos conflitos, tal como acompanhou durante sua viagem recente à região da Bacia do Lago Chade.
Ela defendeu que os programas internacionais tenham seus esforços centrados em mulheres e jovens.
Mohammed afirmou que o maior impacto da mudança climática é sentido pelas mulheres. Um dos exemplos é o da desertificação, que as obriga a percorrer distâncias maiores para ter água e comida e “a perder oportunidades educacionais e econômicas a longo prazo”.
Para justificar um maior investimento nos jovens, Amina Mohammed disse que sem empregos estes “terão o terrorismo como via alternativa”.
Apresentação: Daniela Gross.