Dia Mundial da População destaca importância de planejamento familiar

11 julho 2018

Cerca de 214 milhões de mulheres em países em desenvolvimento não têm acesso a métodos anticoncepcionais; para diretora executiva do Fundo de População da ONU, Unfpa, recurso é essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável.

O Dia Mundial da População, marcado a 10 de julho, destaca este ano o planejamento familiar como um direito humano.

Para a diretora-executiva do Fundo da ONU para a População, Unfpa, Natalia Kanem, este recurso “não é apenas uma questão de direitos humanos, é central para o empoderamento das mulheres, para reduzir a pobreza e alcançar o desenvolvimento sustentável”.

Recursos

Em nota, Kanem afirma que, nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres ainda não têm acesso a estes métodos. Entre as razões estão a falta de informação, serviços ou apoio de seus parceiros e comunidades.

A chefe do Unfpa acredita que isso “ameaça a capacidade das mulheres de construir um futuro melhor para si, para suas famílias e suas comunidades”.

A meta da agência da ONU é acabar com todas as necessidades sem resposta até 2030. Natalia Kanem afirma que se todos os países desenvolvidos doassem 20 centavos por pessoa, seria possível atingir os objetivos de financiamento.

Importância 

Em entrevista à ONU News, o assessor sênior do Unfpa, Elizeu Chaves, também destacou a importância do tema deste ano. 

"É um tema central, porque o acesso ao planejamento familiar é determinante, principalmente para meninas e mulheres poderem planejar seu futuro, terminar os estudos, seguir no mercado de trabalho e estar em condições de igualdade com os homens. É fundamental que a gente perceba que o planejamento familiar como direito é um mecanismo de empoderar as mulheres, o que traz benefícios para a sociedade como um todo e que a gente deve priorizar nos próximos anos."

Métodos perigosos

Para marcar este dia, o Unfpa reuniu dezenas de exemplos de formas perigosas e ineficientes que as pessoas em todo o mundo usam para tentar evitar a gravidez.

A agência diz que “estes métodos, muitas vezes com base em rumores e mitos, vão desde químicos nocivos, como desinfetantes, a utensílios de casa como esponjas de cozinha”.

O Unfpa afirma que “todos estes métodos podem ser perigosos para quem os usa, se as pessoas tiverem sexo sem proteção”.

A agência diz que estes exemplos destacam “a necessidade urgente de melhorar o acesso e a informação sobre planejamento familiar moderno e de confiança”.

Direito

Este ano, marca-se o 50º aniversário da Conferência Internacional de Direitos Humanos de 1968 que, pela primeira vez, considerou o planejamento familiar como um direito humano.

O documento final da conferência, conhecido como Proclamação de Teerã, declarou que os pais têm o direito humano básico de determinar, de forma livre e responsável, o número e o intervalo entre nascimento de um filho e a gravidez de outro.

Segundo a ONU, “mulheres e meninas têm o direito de evitar o esgotamento e perigo de muitas gravidezes muito próximas umas das outras”.

De acordo com a organização, “homens e mulheres têm o direito de escolher quando e com que frequência abraçam a paternidade”.

 

Apresentação: Daniela Gross