Pescadoras do Lago Chade recebem altas funcionárias da ONU e União Africana

6 julho 2018

Vidas destas mulheres são exemplo das dificuldades enfrentadas pelos moradores da região que é das mais pobres do mundo; vice-secretária-geral, Amina Mohammed, participa na viagem.

A vice-secretária-geral, Amina Mohammed, conheceu esta semana a história de Falmata Mboh Ali, de 50 anos, uma pescadora do Chade, durante uma viagem realizada ao país em conjunto com a União Africana.

Falmata pesca num afluente do Lago Chade, em Bol, uma pequena cidade a 160 quilômetros ao norte da capital do Chade, N'Djamena.

Apoio

Numa manhã desta semana, ela tinha cerca de 50 pequenos peixes, uma captura boa, mas não suficiente para alimentar os seus 11 filhos.

À ONU News, Fatima disse que ia "vender o peixe e usar o dinheiro para comprar grãos para alimentar a família, que não serve para muito”. Ela disse que pesca há 20 anos e a atividade “está se tornando mais difícil”.

Tradicionalmente, a pesca sustenta comunidades na área do Lago Chade, apoiando cerca de 30 milhões de pessoas que vivem em países como Chade, Camarões, Nigéria e Níger.

Cada vez mais mulheres pescam nesta região., by ONU/Dan Dickinson

No entanto, o enorme lago, que chegou a cobrir 250 mil km2, encolheu para um décimo do seu tamanho original, em grande parte devido à gestão não sustentável da água e às alterações climáticas.

Com o peixe mais escasso, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, tem oferecido apoio. Falmata foi uma das beneficiárias de novas redes. Ela diz ter “esperança de que a vida da família possa melhorar”.

Empoderamento

Falmata explicou as suas dificuldades à comitiva liderada por Amina Mohammed, que inclui ainda quatro altas funcionárias da ONU e da União Africana, incluindo a enviada especial da União Africana para Mulheres, Paz e Segurança, Bineta Diop.

Mohammed afirmou que “o empoderamento econômico das mulheres é uma ferramenta fundamental para o seu acesso a posições de liderança e tomada de decisões”.

Segundo ela, é preciso encorajar “as mulheres a participarem de todos os processos políticos, de paz, segurança e desenvolvimento que sustentam as suas comunidades. ”

Violência

A situação precária em que as pessoas desta região se encontram foi agravada pela presença do grupo terrorista Boko Haram.

A insurgência do grupo no nordeste da Nigéria e nos países vizinhos deslocou mais de 2 milhões de pessoas e provocou uma crise humanitária.

A ONU estima que cerca de 4 milhões de pessoas não têm comida suficiente. Se mais refugiados fugirem do conflito na República Centro-Africana para o Chade, a crise alimentar deve piorar.

A região do Lago Chade já se encontra entre as mais pobres do mundo, onde o acesso a alimentos, aos serviços de saúde e à educação é extremamente baixo.

Bineta Diop disse que “os desafios são grandes, mas é possível agir”. Segundo ela, “os papéis de gênero estão mudando, as mulheres saem para pescar, quando antes eram homens, e desempenham um papel maior na sociedade”.

 

Apresentação: Alexandre Soares

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud