Protestos na Nicarágua fizeram 250 mortos e milhares de feridos desde abril

5 julho 2018

Informações são de investigadores que monitoraram direitos humanos até quarta-feira; Escritório das Nações Unidas vai continuar ação no país com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Uma equipe da ONU de monitoramento de direitos humanos na Nicarágua anunciou  pelo menos 250 mortos e milhares de feridos devido a protestos iniciados em meados de abril.

Esta quinta-feira, em Genebra, o alto comissário para os Direitos Humanos da Organização disse que os dados foram obtidos pelo grupo  enviado pelo seu Escritório que monitorou a situação e apoiou a Comissão de Verificação e Segurança.

Polícia

Zeid Al Hussein disse que muitos daqueles que perderam a vida eram jovens. As autoridades indicam que 12 membros da polícia também foram mortos e mais de 700 pessoas foram detidas arbitrariamente e algumas supostamente sujeitas a maus-tratos. A nota também cita casos de desaparecimentos.

O pedido de Zeid é que o Governo da Nicarágua pare com a violência cometida pelo Estado e desmonte elementos armados pró-governo, que segundo ele “têm sido cada vez mais responsáveis ​​pela repressão e pelos ataques”.

Foto: ONU/Violaine Martin
Zeid Al Hussein, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos fala ao Conselho em 26 de fevereiro de 2018

O chefe dos direitos humanos disse que também devem ser responsabilizados aqueles que instigaram ou permitiram a atuação desses elementos armados.

Impunidade

Para Zeid, os protestos revelam a grave situação dos direitos humanos no país e que é preciso que o governo tome ações significativas para evitar a morte de mais pessoas, o combate à impunidade e garantir justiça às vítimas.

O chefe dos direitos humanos disse que a violência e a repressão desde o início dos protestos em abril mostram a erosão sistemática desses princípios ao longo dos anos e “destacam a fragilidade geral das instituições das leis e do Estado de direito”.

Metas

O primeiro objetivo das manifestações era contestar reformas sociais, mas evoluíram para contrariar o governo do presidente Daniel Ortega.

Os investigadores da ONU atuaram com comissões envolvendo funcionários do governo e representantes de vários setores. Entre as metas estavam o desarmamento de elementos pró-governo e a criação de condições para o fim das barricadas colocadas em várias comunidades.

Mortes

Zeid pediu medidas reais das autoridades para reconhecer a gravidade da situação e cumprir as obrigações do governo, “que incluem adotar medidas apropriadas para proteger a população e evitar novas mortes”.

Ele disse que diminuiu o uso excessivo da força contra os manifestantes desde o início da crise, à medida que elementos policiais se retiraram.

No entanto, a violência provocada por elementos armados pró-governo “continuou a aumentar, particularmente contra comunidades que ergueram barricadas ou bloqueios nas estradas como forma de protesto ou como meio de autoproteção”.

Linchamento

Zeid citou “sinais alarmantes de repressão seletiva e intimidação contra os manifestantes e suas famílias, estudantes, defensores dos direitos humanos e membros da Igreja Católica, entre outros”.

A equipe ouviu relatos de pessoas armadas nas ruas, além dos que apoiam o governo, que contribuíram para o clima de intimidação e insegurança. Há alegações de partidários do governo que foram vítimas de ataques e ameaças de linchamento.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU deverá continuar a fazer o monitoramento e a oferecer assistência técnica na Nicarágua, em ações coordenadas com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Apresentação: Eleutério Guevane.

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