Síria: Acnur alerta para 750 mil vidas em perigo com fogo cruzado no sudoeste 

5 julho 2018

Chefe da agência alerta que milhares de inocentes podem morrer se não houver medidas urgentes para distribuir ajuda; confrontos provocaram 320 mil deslocados que vivem em condições difíceis.

A Agência para Refugiados da ONU, Acnur, alertou esta quinta-feira que “cerca de 750 mil vidas correm perigo” por causa dos confrontos no sudoeste da Síria.

O chefe da agência, Filippo Grandi, expressa “grande preocupação” com civis atingidos pelo fogo cruzado em ações que incluem “ataques aéreos e bombardeios pesados” que ocorrem na área.

Fronteira

Em nota, emitida em Genebra, Grandi alerta que a situação provocou mais de 320 mil deslocados. A maioria vive em condições precárias e inseguras. Esse número inclui 60 mil pessoas acampadas na fronteira entre Nasib e Jaber, na Jordânia.

O representante contou que várias comunidades sírias no local receberam muitos destes deslocados, e que a maioria é forçada a viver em espaços abertos ou abrigos improvisados “com pouca segurança e proteção”.

Conflito

Entre os deslocados está um grande número de mulheres e crianças. O chefe do Acnur relata ainda que entre eles há idosos, feridos e doentes que aumentam a sua preocupação. Vários trabalhadores humanitários do sudoeste da Síria também tiveram que abandonar a área, após servirem os civis durante o conflito.

Para Grandi, a prioridade imediata é “encontrar uma solução política para o conflito e poupar ainda mais os civis sírios”.

Ele disse que apesar dos esforços para ajudar as pessoas no sudoeste da Síria, desde a fronteira com a Jordânia, a situação de segurança torna mais difícil chegar a um grande número de necessitados.

Assistência

O pedido feito a todas as partes é que “redobrem os esforços para o fim dos combates, permitam que funcionários humanitários prestem assistência essencial, abriguem e retirem os feridos”.

O representante destacou que é importante “garantir a proteção, a segurança e a proteção de civis e dos trabalhadores humanitários”, como parte do princípio fundamental do direito internacional humanitário.

Grandi menciona ainda que os confrontos na área de fronteira são “uma ameaça à vida”. Esse é um problema que “não deixa muitas opções, a não ser procurar segurança na vizinha Jordânia. ”

Responsabilidade

O chefe do Acnur saudou ainda a generosidade dos jordanianos por protegerem centenas de milhares de refugiados sírios desde o início da crise, e ajudarem os necessitados dentro da Síria. Ele defende por causa dos perigos imediatos, o governo do país deve dar refúgio temporário aos que precisam de segurança.

O apelo à comunidade internacional é que preste apoio imediato e substancial à Jordânia, “em espírito de solidariedade e partilha de responsabilidades. ”

Grandi reafirma que o Acnur está pronto para aumentar imediatamente o auxílio, tanto na Síria como na Jordânia, e reitera que milhares de inocentes podem morrer se não forem tomadas medidas urgentes.

 

Apresentação: Daniela Gross.

 

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