Português é eleito diretor da Organização Internacional para Migrações

29 junho 2018

António Vitorino começará funções em 1° de outubro; ele é advogado e ex-ministro da Defesa; governo de Portugal destaca que eleição demonstra a elevada relevância que o país dá para serem encontradas soluções para os problemas migratórios.

Os países-membros da Organização Internacional para Migrações, OIM, elegeram nesta sexta-feira o português António Vitorino como o novo diretor-geral da agência.

Advogado e ex-ministro da Defesa, Vitorino começará a chefiar a agência no dia 1° de outubro. Ele substituirá o americano William Lacy Swing, que foi diretor da OIM na última década.

Entrevista

Numa entrevista exclusiva com a ONU News, de Genebra, na Suíça, António Vitorino explicou as suas prioridades para a organização.

“Há três objetivos fundamentais. Estar à altura das responsabilidades que vão ser dadas à OIM na implementação do Pacto Global Sobre as Migrações, que está neste momento a ser discutido e que será concluído até ao fim do ano. A segunda é continuar a ser uma organização extremamente presente no terreno para apoiar os imigrantes. E, em terceiro lugar, apontar para o desenvolvimento de ações que estabeleçam a ligação entre as migrações e o desenvolvimento. ”

O novo diretor-geral diz que foi “apresentado como candidato português” e que é “indubitavelmente europeu”, mas que a sua eleição foi além das suas credenciais.

“Nesse sentido, acho que foi uma candidatura que não teve como objetivo representar nem um país, nem um continente, mas sim construir pontes. Pontes de convergência, criar um ‘common ground’ entre países com diferentes perspectivas, países de origem, de destino, de trânsito dos fluxos migratórios, para garantir a regulação dos fluxos migratórios, o combate à imigração irregular e ao tráfico de seres humanos. ”

Reações

O governo de Portugal divulgou um comunicado celebrando a eleição de António Vitorino. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a “candidatura demonstra a elevada relevância que Portugal atribuiu ao diálogo sobre migrações”.

O país também defende a “necessidade de serem encontradas soluções eficazes para os problemas migratórios”. Para o governo, o novo chefe da OIM terá uma gestão que vai valorizar “a promoção da paz, da segurança, da tolerância e do respeito aos direitos humanos.

Funções

Criada em 1957, com mais de 400 escritórios em 150 países, a função da Agência da ONU para Migração é ser a organização intergovernamental líder no setor, ajudando migrantes e sociedades que os acolhem.

Uma das prioridades da OIM é administrar a migração de uma maneira “humana” e promover a cooperação internacional, buscando sempre encontrar soluções práticas para os migrantes de diversos países.

 

Apresentação: Alexandre Soares