Crise global de trabalho de cuidado não pago pode afetar 2,3 bilhões de pessoas

28 junho 2018

OIT avisa que aumento de crianças e idosos requer mais pessoas para cuidar de outras; três quartos dos envolvidos nessas atividades são mulheres; no Brasil, 28.5% das mulheres sem emprego realizam cuidados não remunerados.

Um novo relatório alerta para uma "crise mundial de cuidados" que pode afetar 2,3 bilhões de pessoas até 2030. A publicação foi lançada esta quinta-feira pela Organização Internacional do Trabalho, OIT.

Segundo a pesquisa, os investimentos nesta área precisam dobrar para evitar essa situação. As mulheres continuam a fazer "mais de três quartos" de todo este trabalho não remunerado.

Gênero

A chefe da área de Gênero, Igualdade e Diversidade da OIT, Shauna Olney, disse que existe uma enorme lacuna de gênero neste setor. Segundo ela, “as mulheres realizam 76,2% do total de horas de trabalho não remunerado e mais de três vezes mais que os homens”.

Essa diferença também está presente nos países lusófonos. O relatório avaliou os motivos porque as pessoas estão fora do mercado de trabalho e concluiu que em Angola, por exemplo, 8,4% das mulheres não trabalham formalmente devido a cuidados não pagos, enquanto apenas 0,5% dos homens está nesta situação.

No Brasil, são 28,5% de mulheres contra 1,8% de homens. Já em Portugal são 13% que comparam com 1.5%.

Dos países de língua portuguesa presentes na lista, apenas Timor Leste, com 6,2% de mulheres e 17,1% de homens, contraria a tendência global. 

Oportunidade

O relatório diz que 269 milhões de empregos poderiam ser criados nos próximos 12 anos se os Estados-membros duplicassem o investimento atual em educação, saúde e trabalho social.

O impacto pode ser em grande escala, com 16,4 bilhões de horas por dia já gastas em trabalho não remunerado. Isso equivale a 2 bilhões de pessoas trabalhando oito horas por dia sem pagamento.

Em 2015, dos 2,1 bilhões de pessoas que precisaram de assistência, 1,9 bilhão eram crianças com menos de 15 anos e o restante eram idosos.

Maternidade

No total, são 606 milhões de mulheres em todo o mundo, comparadas a 41 milhões de homens, que não podem trabalhar fora de casa por este motivo.

Olney disse que este é “um fator chave” para determinar se as mulheres “entram e permanecem” no mercado de trabalho, bem como a qualidade dos empregos que recebem.

Outra conclusão é que as mães de crianças com menos de seis anos têm mais dificuldade em encontrar trabalho. Menos de metade delas estão empregadas e  apenas 77 países, dos 184 analisados, cumprem os padrões mínimos de proteção à maternidade.

Mudanças

Nos últimos 20 anos, a contribuição dos homens para este setor apenas aumentou em 23 países. Mesmo nessas nações, essa mudança acontece a um "ritmo glacial".

Shauna Olney disse que, “nesse ritmo, serão necessários 210 anos para reduzir a lacuna de gênero no trabalho não remunerado”.

A pesquisa explica que os serviços de cuidado de longo prazo “são quase inexistentes” na maioria dos países africanos, latino-americanos e asiáticos.

Apresentação: Alexandre Soares

 

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