Crise global de trabalho de cuidado não pago pode afetar 2,3 bilhões de pessoas

Em 2015, dos 2,1 bilhões de pessoas que precisaram de assistência, 1,9 bilhão eram crianças com menos de 15 anos.
Banco Mundial/Dominic Chavez
Em 2015, dos 2,1 bilhões de pessoas que precisaram de assistência, 1,9 bilhão eram crianças com menos de 15 anos.

Crise global de trabalho de cuidado não pago pode afetar 2,3 bilhões de pessoas

Saúde

OIT avisa que aumento de crianças e idosos requer mais pessoas para cuidar de outras; três quartos dos envolvidos nessas atividades são mulheres; no Brasil, 28.5% das mulheres sem emprego realizam cuidados não remunerados.

Um novo relatório alerta para uma "crise mundial de cuidados" que pode afetar 2,3 bilhões de pessoas até 2030. A publicação foi lançada esta quinta-feira pela Organização Internacional do Trabalho, OIT.

Segundo a pesquisa, os investimentos nesta área precisam dobrar para evitar essa situação. As mulheres continuam a fazer "mais de três quartos" de todo este trabalho não remunerado.

Gênero

A chefe da área de Gênero, Igualdade e Diversidade da OIT, Shauna Olney, disse que existe uma enorme lacuna de gênero neste setor. Segundo ela, “as mulheres realizam 76,2% do total de horas de trabalho não remunerado e mais de três vezes mais que os homens”.

Essa diferença também está presente nos países lusófonos. O relatório avaliou os motivos porque as pessoas estão fora do mercado de trabalho e concluiu que em Angola, por exemplo, 8,4% das mulheres não trabalham formalmente devido a cuidados não pagos, enquanto apenas 0,5% dos homens está nesta situação.

No Brasil, são 28,5% de mulheres contra 1,8% de homens. Já em Portugal são 13% que comparam com 1.5%.

Dos países de língua portuguesa presentes na lista, apenas Timor Leste, com 6,2% de mulheres e 17,1% de homens, contraria a tendência global. 

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Oportunidade

O relatório diz que 269 milhões de empregos poderiam ser criados nos próximos 12 anos se os Estados-membros duplicassem o investimento atual em educação, saúde e trabalho social.

O impacto pode ser em grande escala, com 16,4 bilhões de horas por dia já gastas em trabalho não remunerado. Isso equivale a 2 bilhões de pessoas trabalhando oito horas por dia sem pagamento.

Em 2015, dos 2,1 bilhões de pessoas que precisaram de assistência, 1,9 bilhão eram crianças com menos de 15 anos e o restante eram idosos.

Maternidade

No total, são 606 milhões de mulheres em todo o mundo, comparadas a 41 milhões de homens, que não podem trabalhar fora de casa por este motivo.

Olney disse que este é “um fator chave” para determinar se as mulheres “entram e permanecem” no mercado de trabalho, bem como a qualidade dos empregos que recebem.

Outra conclusão é que as mães de crianças com menos de seis anos têm mais dificuldade em encontrar trabalho. Menos de metade delas estão empregadas e  apenas 77 países, dos 184 analisados, cumprem os padrões mínimos de proteção à maternidade.

Mudanças

Nos últimos 20 anos, a contribuição dos homens para este setor apenas aumentou em 23 países. Mesmo nessas nações, essa mudança acontece a um "ritmo glacial".

Shauna Olney disse que, “nesse ritmo, serão necessários 210 anos para reduzir a lacuna de gênero no trabalho não remunerado”.

A pesquisa explica que os serviços de cuidado de longo prazo “são quase inexistentes” na maioria dos países africanos, latino-americanos e asiáticos.

Apresentação: Alexandre Soares