Enviado especial para o Iêmen teme “graves consequências” de ataque a Hodeida
BR

22 junho 2018

Martin Griffiths pretende relançar negociações políticas nas próximas semanas; Nações Unidas e parceiros já assistiram 7 mil pessoas na cidade; coordenadora-residente da ONU, Lise Grande, diz que crise “é de partir o coração”.

 

O enviado especial para o Iêmen, Martin Griffiths, teme “graves consequências políticas e humanitárias” se acontecer uma maior escalada militar na cidade portuária de Hodeida, no Iêmen.

Em nota, publicada na quinta-feira, Griffiths informa que continua a reunir-se com todas as partes do conflito para evitar um agravar da situação.

Negociações 

O enviado especial diz que a sua prioridade é evitar um confronto militar e regressar rapidamente às negociações políticas.

Griffiths afirma estar “encorajado pelo envolvimento construtivo” da liderança do grupo religioso Ansar Allah e aguarda “com expectativa” as próximas reuniões com o presidente e o governo do Iêmen.

O enviado especial diz estar “confiante num acordo para evitar qualquer escalada de violência” e que as Nações Unidas pretendem continuar envolvidas.

Enviado especial para o Iêmen, Martin Griffiths
Enviado especial para o Iêmen, Martin Griffiths, by Foto ONU/Manuel Elias

Riscos

Também na quinta-feira, o porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric, informou que cerca de 7 mil pessoas já beneficiaram dos vários programas de assistência da ONU na cidade.

Segundo Dujarric, o risco de um surto de cólera continua sendo uma ameaça imediata”.

Hodeida foi um dos centros da epidemia que atingiu o país recentemente. Ainda antes dos últimos ataques, vários distritos já tinham sido identificados como estando em risco de um novo surto.

O porta-voz lembrou ainda que, segundo o Direito Internacional Humanitário, todas as partes devem ter cuidado para não danificar a infraestrutura de água e saneamento.

Ajuda

Em uma nota, a coordenadora-residente da ONU no país, Lise Grande, explica que “mesmo antes de os combates começarem, as condições em Hodeida já eram das piores no país”. 

Cerca de 25% das crianças na cidade sofrem de subnutrição grave. Se a ajuda alimentar for interrompida, a vida de 100 mil meninos e meninas corre perigo.

Grande afirma que “o nível de sofrimento humano é de partir o coração” e promete que os humanitários ficarão no terreno “enquanto as condições permitirem”.

Na última semana, a ONU e os seus parceiros estabeleceram 10 estações de serviço, onde distribuem alimentos e kits de ajuda, e 11 equipas médicas foram enviadas para os hospitais e centros de saúde.

A cidade de Hodeida é o ponto de entrada mais importante de bens necessários para evitar uma crise de fome e o retorno da epidemia de cólera
A cidade de Hodeida é o ponto de entrada mais importante de bens necessários para evitar uma crise de fome e o retorno da epidemia de cólera, by Ocha/Giles Clarke

Crise

Além de ser uma das áreas mais populosas do país, a cidade de Hodeida é o ponto de entrada mais importante de bens necessários para evitar uma crise de fome e o retorno da epidemia de cólera.

Cerca de 70% das importações do Iêmen, incluindo bens comerciais e humanitários, entram pelos portos Hodeida e Saleef.

A situação humanitária no Iêmen já é considerada a mais grave no mundo pelas agências da ONU. Se as condições não melhorarem, o número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar grave e o risco de morrer de fome, pode ultrapassar os 10 milhões até o fim do ano.

A ONU e os seus parceiros precisam de US$ 3 bilhões este ano para ajudar cerca de 22 milhões de pessoas. Até este momento, as organizações já receberam metade desse valor.

Apresentação: Daniela Gross

 

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