Crimes de guerra marcaram retomada de Ghouta Oriental, na Síria
BR

20 junho 2018

Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria diz que maior cerco da história moderna durou mais de cinco anos e foi “bárbaro e medieval”; civis enfrentaram danos físicos e psicológicos com bombardeios diários; região foi recapturada por forças pró-governo.

O cerco à região de Ghouta Oriental, na Síria, foi o “mais longo da história moderna, durando mais de cinco anos”. A operação foi condenada pela Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria como um “método de guerra bárbaro e medieval”.

Num relatório apresentado nesta quarta-feira, a Comissão destaca que os civis enfrentaram “grandes danos físicos e psicológicos por conta de bombardeios diários e privações extremas, levando a mortes que poderiam ter sido evitadas”.

Mortes

Cercos deste tipo são uma característica de “crimes de guerra”, como explicou, em entrevista à ONU News, o presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro.

“O que é um crime de guerra é você, por exemplo, impedir a entrada de alimentos, de remédios e isso foi feito de maneira sistemática durante cinco anos. Houve bombardeios sistemáticos de áreas habitadas densamente por civis e também ataques a objetos proibidos, como hospitais, por exemplo, talvez na perspectiva de impedir o acesso ao tratamento de pacientes.”

Segundo a Comissão presidida por Paulo Sérgio Pinheiro, as forças pró-governo aumentaram “de forma dramática sua campanha militar durante a recaptura da área sitiada”, com bombardeios aéreos e em terra, causando a morte de centenas de sírios, incluindo crianças.

Deslocados internos

Segundo ele, ficou claro que na fase final do cerco, nenhum lado envolvido no conflito agiu para proteger a população, cometendo ainda “crimes contra a humanidade”.

Entre fevereiro e abril, grupos armados e terroristas lançaram morteiros contra bairros de Damasco e áreas próximas, matando centenas de civis, outro exemplo de “crimes de guerra”.

O relatório nota ainda que quando as forças do governo sírio declararam a região de Ghouta Oriental recapturada, em 14 de abril, cerca de 140 mil pessoas estavam desalojadas de suas casas.

Os quase 50 mil civis deslocados em Idlib e Alepo não receberam ajuda do governo. O relatório da Comissão será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos no dia 26 de junho.

Apresentação: Leda Letra.

 

 

 

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