Quase dois terços dos bebês vivem em países onde não há licença-paternidade

13 junho 2018

Análise do Unicef revela que 90 milhões de crianças com menos de um ano de idade têm pais que não podem tirar sequer um dia de licença remunerada; Brasil é citado como exemplo de nação que oferece benefício, mas por curto período.

Dois entre três bebês, ou quase 90 milhões de crianças com menos de um ano de idade, vivem em países onde não existe licença-paternidade. A análise é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Segundo a agência, 92 países não têm políticas nacionais que garantam licença-remunerada para que os pais possam ter algum tempo livre com os recém-nascidos.

Índia e Nigéria estão entre essas nações, apesar de terem uma alta taxa de natalidade. O Unicef explica que está em andamento no Parlamento da Índia uma lei para garantir a licença-paternidade por até três meses.

Brasil

Já nações como Brasil e República Democrática do Congo garantem a licença-paternidade remunerada, porém, por um curto período de tempo. Pais brasileiros têm direito de se ausentarem do trabalho de cinco até 20 dias após o nascimento.

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta H. Fore, explica que a “interação positiva de mães e de pais desde o começo da vida ajuda no crescimento cerebral da criança e no seu desenvolvimento” a longo prazo.

Unicef/Zehbrauskas
Pai segura seu bebê recém-nascido no Hospital Lerdsin, na Tailândia.

Pesquisas neurocientíficas comprovaram que quando as crianças passam os primeiros mil dias de vida em um ambiente acolhedor e estimulante, novas conexões de neurônios são formadas com rapidez. Essas conexões ajudam a determinar como a criança aprende, pensa e como lida com o estresse.

Mais leis

Além disso, a relação positiva com os pais ajuda a ter melhor saúde psicológica, mais autoestima e satisfação pela vida.

Por isso, o Unicef faz um apelo aos governos pela implementação de políticas que apoiem o desenvolvimento na primeira infância, incluindo a licença-paternidade remunerada.

No início do ano, o próprio Unicef decidiu ampliar o período de licença-paternidade concedido aos seus funcionários, que agora podem desfrutar de até 16 semanas na companhia dos recém-nascidos. Antes, o benefício era de quatro semanas.

Dia dos Pais

A diretora da agência pede mais dos governos e dos empregadores, para que pais e mães tenham “tempo e recursos necessários para cuidar de seus filhos, em especial nos primeiros anos de vida”.

O Unicef destaca que muito trabalho precisa ser feito nesse sentido, especialmente porque oito países do mundo, incluindo os Estados Unidos, não oferecem licença remunerada para mães nem pais.

A análise do Unicef faz parte da campanha “Super Pais” (incluir link: https://www.unicef.org/early-moments) da agência, para comemorar o Dia dos Pais, celebrado neste mês de junho em mais de 80 países.

Apresentação: Monica Grayley.