Enviado especial alerta para “consequências sérias” em caso de ataque no Iêmen

13 junho 2018

Martin Griffiths falou sobre eventual ofensiva ao porto de Hodeida, que é a principal rota de entrada às importações do país; com 22 milhões de pessoas, Iêmen já enfrenta a pior crise humanitária do mundo.

O enviado especial do secretário-geral da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, está extremamente preocupado com a escalada militar na cidade portuária de Hodeida.

Em uma nota, Griffiths avisa que um potencial ataque “terá consequências sérias sobre a terrível situação humanitária do país”.

Paz

O enviado especial diz também que uma ofensiva “terá um impacto nos esforços para recomeçar as negociações sobre um acordo político inclusivo”.

Segundo ele, a ONU continua a usar todas as oportunidades para evitar um confronto militar em Hodeida.

Griffiths afirmou que não existe uma solução militar para o conflito e pediu a todos que se esforcem para poupar Hodeida de um confronto militar.

Situação humanitária

Na semana passada, a coordenadora-residente da ONU no Iêmen, Lise Grande, avisou que um possível ataque militar à cidade teria “certamente um impacto humanitário catastrófico”.

Cerca de 600 mil pessoas vivem em Hodeida ou nos arredores. Em nota, Lise Grande disse que a possibilidade de “um ataque militar, ou um cerco, teria impacto na vida de centenas de milhares de moradores”.

Os confrontos envolvem o governo e os rebeldes houthis., by UN Ocha/Giles Clarke

Ela contou que as organizações humanitárias estão a desenvolver planos de contingência, mas avisou que num caso prolongado “250 mil pessoas podem perder tudo incluindo as suas vidas”.

Além de ser uma das áreas mais populosas do país, esta cidade é o ponto de entrada mais importante de bens necessários para evitar uma crise de fome e o regresso da epidemia de cólera.

Cerca de 70% das importações do Iêmen, incluindo bens comerciais e humanitários, entram pelos portos Hodeida e Saleef.

Crise

A situação humanitária no Iêmen já é considerada a mais grave no mundo pelas agências da ONU. Se as condições não melhorarem, o número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar grave e o risco de morrer de fome, pode ultrapassar os 10 milhões até o fim do ano.

A ONU e os seus parceiros estão a pedir US$ 3 bilhões este ano para ajudar cerca de 22 milhões de pessoas. Até este momento, as organizações já receberam metade desse valor.

 

Apresentação: Alexandre Soares