Ataque à cidade portuária no Iêmen teria “impacto humanitário catastrófico”

Nações Unidas considera situação no Iêmen “a pior crise humanitária do mundo”.
Ocha/Giles Clarke
Nações Unidas considera situação no Iêmen “a pior crise humanitária do mundo”.

Ataque à cidade portuária no Iêmen teria “impacto humanitário catastrófico”

Paz e segurança

Porto de Hodeida é a principal rota de entrada às importações do país; com 22 milhões de pessoas, Iêmen já enfrenta a pior crise humanitária do mundo. 

Um possível ataque militar à cidade portuária de Hodeida, no Iêmen, teria “certamente um impacto humanitário catastrófico”. O alerta foi feito pela coordenadora-residente da ONU no país, Lise Grande.

Cerca de 600 mil pessoas vivem em Hodeida ou nos arredores. Em nota, Lise Grande disse que a possibilidade de “um ataque militar, ou um cerco, teria impacto na vida de centenas de milhares de moradores”.

Impacto

Ela contou que as organizações humanitárias estão a desenvolver planos de contingência, mas avisou que num caso prolongado “250 mil pessoas podem perder tudo incluindo as suas vidas”.

Além de ser uma das áreas mais populosas do país, esta cidade é o ponto de entrada mais importante de bens necessários para evitar uma crise de fome e o regresso da epidemia de cólera.

Cerca de 70% das importações do Iêmen, incluindo bens comerciais e humanitários, entram pelos portos Hodeida e Saleef.

Grande disse que “a maior prioridade é garantir que os 22 milhões de iemenitas que precisam de alguma forma de ajuda humanitária e proteção recebam a assistência de que precisam”.

A coordenadora acredita que “cortar as importações que chegam através de Hodeida, por qualquer período de tempo, coloca a população do Iêmen num risco extremo e injustificável”.

Crise

A situação humanitária no Iêmen já é considerada a mais grave no mundo pelas agências da ONU. Se as condições não melhorarem, o número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar grave e o risco de morrer de fome, pode ultrapassar os 10 milhões até o fim do ano.

Grande diz que “com tantas vidas em risco, absolutamente tudo tem de ser feito pelas partes em conflito para proteger os civis e garantir que tem a ajuda de que precisam”.

A ONU e os seus parceiros estão a pedir US$ 3 bilhões este ano para ajudar cerca de 22 milhões de pessoas. Até este momento, as organizações já receberam metade desse valor.

 

Apresentação: Alexandre Soares