Nações Unidas preocupadas com repressão de direitos de expressão no Egito

5 junho 2018

Nas últimas semanas, jornalistas, blogueiros e ativistas foram detidos com acusações de espalhar notícias falsas ou pertencer a grupos ilegais; Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu libertação imediata e incondicional dos presos.

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos acredita que uma onda de detenções no Egito indica uma escalada na repressão aos direitos à liberdade de expressão, associação e reunião.

A porta-voz do Escritório, Ravina Shamdasani, disse em Genebra, que muitos de ativistas, blogueiros e jornalistas não receberam um mandado de detenção, mas  enfrentam acusações que podem representar longas penas de prisão.

Notícias falsas

Segundo a porta-voz,  estas prisões ocorreram depois de o procurador-geral ter ordenado, em fevereiro, que autoridades ficassem atentas às redes sociais. Segundo o procurador-geral, o espaço teria “mentiras e notícias falsas”.

Shamdasani afirma que o Escritório está “extremamente preocupado que prisões como essas se tenham tornado comuns”.

A porta-voz acredita que a detenção arbitrária “se tornou um problema crônico no Egito”.

Vigilância

Além de serem detidas, o Escritório diz que estas pessoas enfrentam outras represálias, como proibição de viagem, congelamento de bens, intimidação, assédio e um ambiente extremamente restritivo.

A agência da ONU apelou “à libertação imediata e incondicional de todos aqueles atualmente detidos pelas autoridades egípcias devido ao exercício legítimo dos seus direitos humanos”.

ONU
Porta-voz do Escritório da ONU, Ravina Shamdasani.

Casos

O Escritorio da ONU destacou alguns dos casos mais emblemáticos no mês de maio. Entre os detidos, estão o blogueiro Wael Abbas, o advogado Haytham Mohamadein, o ativista Shady al-Ghazaly Harb, o blogueiro Mohammed Oxygen, o ativista Sherif al-Rouby e o comediante Shady Abu Zaid. Estas pessoas são acusadas de vários crimes, como espalhar notícias falsas e usar a internet para promover a realização de atos terroristas.

Outro exemplo é o do jornalista Ismail Alexandrani, que está detido desde novembro de 2015 e foi condenado em maio a 10 anos de prisão, sob acusação de pertencer a um grupo ilegal e disseminar informações falsas.

O Escritório também conta a história de três homens, Gamal Abdel Fattah, Hassan Hussein e Ahmed Manna, que estão detidos há mais de 90 dias por terem pedido um boicote às eleições presidenciais, realizadas em março.

 

Apresentação: Alexandre Soares

 

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