Quase metade das crianças afegãs estão fora da escola por causa do conflito
BR

2 junho 2018

Ao todo, são 3,7 milhões de afegãos entre 7 e 17 anos, segundo relatório divulgado pelo Unicef neste domingo; representante da agência no país diz que situação tem que mudar para que os direitos das crianças sejam respeitados.

O conflito no Afeganistão está impedindo que quase metade das crianças no país frequentem a escola. Os dados constam do estudo “Iniciativa Global sobre Crianças fora da Escola no Afeganistão”, divulgado neste 3 de junho.

A piora da segurança, nos últimos anos, além da pobreza e da discriminação deitaram por terra ganhos obtidos entre 2002 e 2006.

Discriminação

É a primeira vez, desde 2002, que o número de alunos fora das salas de aula atinge níveis recordes. Ao todo, são 3,7 milhões de crianças entre 7 e 17 anos.

O quadro é ainda pior para as meninas, que representam 60% das crianças que não frequentam o colégio. Para o Unicef, esta situação perpetua a discriminação de gênero em províncias mais afetadas pelo problema como Kandahar, Helmand e outras. Ali, 85% das meninas estão fora do sistema educacional.

Família na província de Faryab, no Afeganistão. Foto: Acnur/S. Sisomsack
Família na província de Faryab, no Afeganistão. Foto: Acnur/S. Sisomsack

 

Uma outra constatação do estudo é o casamento infantil e o deslocamento forçado por causa da violência. Muitas meninas são prejudicadas devido à escassez de professoras, má qualidade de conservação das escolas além da insegurança.

A representante do Unicef no Afeganistão, Adele Khodr, afirmou que não é mais possível manter o quadro atual e que o Afeganistão não tem outra opção se não mudar e ajudar cada criança a ter direito à educação.

Recrutamento

A chefe do Unicef no país lembrou ainda que crianças foram da escola estão mais sujeitas a abusos e ao recrutamento de grupos armados.

Mas nem todas as notícias são negativas. O estudo constata que a taxa de evasão escolar é baixa no Afeganistão. Cerca de 85% dos meninos e meninas que se matriculam na escola primária terminam o curso. A dificuldade é fazer com que as crianças sejam matriculadas.

O Unicef também saudou a decisão do governo afegão de fazer de 2018 o Ano da Nacional da Educação.

O Unicef acredita que algumas medidas podem ser tomadas para melhorar a situação das crianças fora da escola como a educação comunitária e os programas de ensino, além de dar às famílias mais controle sobre a educação organizando aulas em áreas comunitárias e até mesmo nas casas. 

Medidas

Mulheres aprendem a programar em um centro de tecnologia no Afeganistão. Foto: Unama/Fraidoon Poya
Mulheres aprendem a programar em um centro de tecnologia no Afeganistão. Foto: Unama/Fraidoon Poya

 

Em maio, uma pesquisa sobre as condições de vida no país destacou as melhorias realizadas nos níveis de alfabetização de adultos e jovens nas últimas duas décadas.

A taxa para jovens de 15 a 24 anos subiu de 31% em 2005 para 54% em 2017.

O estudo pede ainda mais ações para levar as crianças ao colégio, especialmente as meninas.

A agência sugere vários pontos e ação como priorizar províncias com altos níveis de crianças fora da escola incluindo líderes religiosos e outros grupos; assegurar que instituições de ensino tenham padrões básicos de saúde e segurança; assegurar que locais de ensino para meninas tenham banheiros, água potável e outros serviços; recrutar e formas mulheres como professoras e enfrentar o desafio do casamento infantil.

Relembre um dos maiores desafios sobre segurança no Afeganistão: as minas antipessoais (vídeo em inglês)

 

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