ONU Mulheres capacita moçambicanas sobre segurança e paz

1 junho 2018

Agência da ONU quer conscientizar as organizações de mulheres e de ativistas da igualdade do género sobre o quadro normativo da ONU sobre Mulheres, Paz e Segurança.

Mulheres moçambicanas representando sociedade civil, ativistas, instituições do governo e académicas, de todas as províncias do país, melhoram conhecimentos sobre o quadro normativo da ONU sobre Mulheres, Paz e Segurança.

No encontro, as participantes vão identificar, analisar e refletir até esta sexta-feira as novas ameaças aos direitos das mulheres em Moçambique para propor ações preventivas aos atores relevantes.

Preocupação

Em conversa com a ONU News em Maputo, a especialista da ONU Mulheres em Ondina da Barca Viera disse que a cultura é uma das justificações usadas para não respeitar a igualdade dos direitos.

“A cultura e a tradição são utilizadas como justificação para continuar a negar direitos iguais entre homens e mulheres, para impedir que a mulher e a rapariga tenham direitos iguais em relação aos seus pares e, ao mesmo tempo, que estas ameaças contribuem para que os objetivos de desenvolvimento sustentável, particularmente o número 5, não sejam alcançados até 2030.”

A especialista da agência acredita que formações do género contribuem para melhorar a informação sobre igualdade de direitos. Ela afirma que essa é uma das expectativas da agência.

“As organizações que temos aqui connosco possam apropriar-se cada vez mais desta agenda e, ao mesmo tempo, se prepararem para realizar ações similares nos meios em que elas se encontram, divulgar este quadro normativo das Nações Unidas, incluindo o cumprimento pelo país de uma das suas obrigações, que é o desenvolvimento de um plano nacional de ação sobre mulher, paz e segurança”. 

ONU News/Ouri Pota
Participaram do encontro mulheres moçambicanas representando sociedade civil, ativistas, instituições do governo e académicas, de todas as províncias do país.

Expectativa

Durante o encontro, a ONU News ouviu algumas participantes. Dulce Catarina, da Associação Mulheres Desfavorecidas no Distrito da Manhiça, na província de Maputo, considera importante a análise. Ela afirma que, no regresso às origens, a ideia é partilhar experiências com comunidades.

“Para mim, é um encontro de reflexão. Nós sabemos que tu, para teres a paz, tens que começar de casa, então tem que começar a paz de casa para poder levar a paz consigo”.

Manuela Teixeira também partilhou as suas expectativas com a ONU News.

“Venho da província do Niassa. O encontro é muito relevante para a vida das mulheres. Nós estamos aqui a discutir como promover a participação efetiva das mulheres e raparigas nos processos de paz e segurança nos conflitos armados e pós-conflito”.

Oportunidade

Já para Carlota Inhamussua, do Grupo de Mulheres de Partilha de Ideias da província de Sofala, afirmou que a iniciativa é uma oportunidade para partilhar experiências de mulheres com experiências de conflitos.

“Este encontro é uma oportunidade para trazer vozes de mulheres em relação à questão ligada à paz e segurança, sobretudo das mulheres que viveram diretamente as situações do conflito, também para que outras mulheres possam trazer aquilo que é a nova perspectiva, como elas estão olhar para o tema paz e segurança”.

Em Moçambique, a ONU Mulheres  trabalha nesta área desde 2016, defendendo a implementação das resoluções das Nações Unidas.

A agência também apoia o governo de Moçambique, através do Ministério do Género, Criança e Ação Social.

De Maputo para ONU News, Ouri Pota.

 

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