28 maio 2018

Na véspera do Dia Internacional dos Boinas Azuis, uma equipe da ONU News acompanha as forças de segurança do Mali durante uma patrulha noturna com o apoio de agentes de polícia das Nações Unidas. 

Funcionários da ONU que estão no Mali para reportar a visita aproveitaram para sair com uma equipe antes da chegada do secretário-geral da ONU, António Guterres.  O chefe da ONU estará no Mali para marcar o aniversário de 70 anos das Missões de Paz, ao lado de homens e mulheres dedicados que servem à missão mais fatal das Nações Unidas, conhecida como Minusma, acrônimo em francês para  Missão Multidimensional Integrada de Estabilização do Mali. 

"As patrulhas são feitas para dar conforto à população, para ajudar a superar a sensação de insegurança. No começo da crise, as pessoas nem saiam às ruas porque elas estavam com medo dos grupos armados e de ataques", explica Masserigne Faye, coordenador do componente policial que é parte integral da missão.

Acompanhe declarações à ONU News do subsecretário-geral para Operações de Manutenção da Paz sobre eventos marcados para o Mali. 

No geral, a capital Bamako parece ser calma e pacífica numa noite de domingo, com motoristas felizes em deixar a patrulha conjunta revistar os veículos, parte das inspeções de rotina.

"É muito bom, nos permite a trabalhar de forma livre", declarou um motorista de taxi,  Mamoutou Kané, após abrir o bagageiro do seu carro.

"Acreditamos que traz segurança para a população. Queremos que isso dure", disse  Boubacar Traoré,  sentado do lado de fora de uma mercearia no bairro de Medina Coura.

Mas não é a capital no sul do Mali que tem causado as maiores preocupações de segurança do momento, mas sim as áreas norte e central da nação do noroeste africano, que chega a alcançar o deserto do Saara. 

Os primeiros boinas-azuis foram enviados ao Mali em 2013, após o surgimento violento de rebeldes separatistas tentando controlar o norte do país, seguido de um golpe de Estado militar.  A Minusma está no país para ajudar a manter um frágil acordo de paz, em apoio às autoridades nacionais e também para fornecer proteção para os civis em meio ao conflito. 

Mas com muitos soldados de paz sendo alvo de grupos armados que lutam contra as forças do governo, a missão enfrenta grandes perigos. O secretário-geral da ONU mostrará sua solidariedade aos boinas-azuis na terça-feira, mas também demonstrará sua solidariedade com os muçulmanos que estão jejuando durante o Ramadã. O próprio Guterres respeitará o jejum durante sua visita ao país. 

Reforma das Operações de Paz

"Cada boina-azul no Mali, realizando seu serviço, está enfrentando um sacrifício diário", afrmou o representante especial do secretário-geral,  Mahamat Saleh Annadif, que também é chefe da Minusma, durante uma entrevista à ONU News esta segunda-feira. 

Em março, durante um debate do Conselho de Segurança sobre como melhorar as operações de paz da ONU, António Guterres disse aos Estados-membros que "os boinas-azuis muitas vezes não têm equipamentos suficiente, não têm preparo suficiente e não estão prontos", destacando que "os soldados de paz estão vulneráveis e viram alvo de ataques". 

Ele disse que três áreas precisam de um novo foco: expectativas mais realistas sobre o que as missões podem alcanlçar; tornar as missões mais fortes e mais seguras; mobilizar mais apoio político com forças melhor estruturadas, mais bem equipadas e mais bem treinadas. 

Para melhorar a eficácia e a segurança das operações de paz. a ONU está fazendo uma reforma de todo o pilar de paz e de segurança, incluindo melhorar a segurança para os boinas-azuis no terreno e a iniciativa "Ação para a Manutenção da Paz", estando o Mali no topo das prioridades.

 

Foto: ONU/Harandane Dicko
Soldados de paz trabalham em conjuno com os malianos no país. No vilarejo de Bara, localizado a 85 km da cidade de Gao, integrantes de uma patrulha da Minusma conversam com as pessoas sobre desafios que elas enfrentam. Grupos radicais já assinaram e sequestraram civis.

A Minusma já tomou medidas no terreno para diminuir as fatalidades: "Aumentando o treinamento, as patrulhas, tomando precauções para inspecionar rodovias antes que os caminhões passem por elas; aproveitando a chegada de contingentes de combate, com tudo isso, fizemos progressos significativos para diminuir as vítimas", afirmou Annadif. 

Sua chefe de Gabinete, Lizbeth Cullity, afirmou que um recente ataque às forças da missão em maio mostrou o impacto de passos já tomados para melhorar o preparo e a segurança dos boinas-azuis: "Foi graças a esse tipo de preparo, aos ensaios, aos testes feitos pouco antes do ataque que conseguimos salvar vidas", ela contou à ONU News. 

Durante sua visita de dois dias, o chefe da ONU terá encontros com tropas e outros funcionários da Minusma.  Ele também estará com o presidente do Mali,  Ibrahim Boubacar Keïta e outros funcionários do governo em Bamako.

Na quarta-feira, Guterres deixará a capital do país e viajará para algumas regiões, onde se encontrará com autoridades locais e funcionários da ONU, além de mulheres, jovens e líderes religiosos. 

 

 

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