ONU aconselha cautela com uso de fraturamento hidráulico para extrair gás de xisto

24 maio 2018

Alerta foi feito pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad; reservas mundiais estão na Argélia, Argentina, Canadá, China e Estados Unidos.

O fraturamento hidráulico para extração de gás natural de xisto, também conhecido como “fracking”, deve ser usado com cautela, segundo um novo relatório da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

A pesquisa analisa a história deste tipo de extração nos Estados Unidos e outros países para perceber como se relaciona com o Acordo de Paris sobre Mudança Climática e com necessidades energéticas urgentes.

Necessidades

O secretário-geral da Unctad, Mukhisa Kituyi, disse que “a mudança climática significa que todos os países devem, por uma questão de urgência estratégica, se afastar da queima de combustíveis fósseis, incluindo o gás de xisto.”

Apesar disso, Kituyi lembrou "que a energia é necessária para acabar com a pobreza e impulsionar o desenvolvimento” e, por isso,  “os países com potenciais recursos de gás de xisto devem entender os prós e contras quando tomam decisões políticas".

A Unctad defende que estes investimentos não devem ser feitos à custa da implantação das energias renováveis ​​e estratégias de eficiência energética. Segundo a pesquisa, pouco conhecimento geológico e hidrológico e a falta de uma “licença social para operar” também podem ser grandes obstáculos.

Transição

O relatório afirma que “o gás deve contribuir para promover uma transição suave entre o atual modelo econômico, baseado em combustíveis fósseis, e uma economia de baixo carbono, com o objetivo de atender o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 em 2030.”

O objetivo 7 prevê o acesso à energia sustentável e moderna para todos.

O relatório diz que o gás natural, incluindo o gás de xisto, tem vários prós e contras para ser usado como um combustível “ponte” entre os grandes contribuintes de dióxido de carbono, como carvão e petróleo, e as novas fontes de energia renovável.

ONU/Gill Fickling
Os Estados Unidos são os maiores produtores deste tipo de gás.

Prós e contras

Uma das vantagens é que o gás natural emite cerca de 40% menos dióxido de carbono por unidade de energia produzida do que o carvão. Este tipo de energia também pode ser armazenada e usado quando é precisa de forma mais eficiente do que a energia gerada fontes renováveis, como o vento.

Como desvantagens, o principal componente do gás natural, o metano, tem uma vida atmosférica mais curta do que o dióxido de carbono, mas o seu potencial de aquecimento global é 28 vezes maior num período de 100 anos.

Em 2016, a concentração atmosférica de metano era 257% do nível pré-industrial, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial, OMM.

Reservas

O relatório também cita preocupações “em relação às grandes quantidades de água usadas, bem como os riscos potenciais gerados na qualidade destes recursos através da contaminação das águas subterrâneas ou superficiais.”

Mais de metade das reservas mundiais deste gás encontram-se na Argélia, Argentina, Canadá, China e Estados Unidos.

Os Estados Unidos são o maior produtor mundial, com 87% de todo o gás de xisto extraído no ano passado.

 

Apresentação: Alexandre Soares