Conselho da ONU adota investigação de ações em protestos na Faixa de Gaza
BR

18 maio 2018

Angola e Brasil aprovaram nova resolução do Conselho de Direitos Humanos que prevê envio do grupo pelo presidente do órgão; chefe de direitos humanos da ONU disse que israelenses e palestinos têm os mesmos direitos.

O Conselho dos Direitos Humanos vai despachar uma comissão de inquérito para investigar violações do direito internacional humanitário e dos direitos humanos na sequência dos protestos ocorridos nos territórios palestinos.

Angola e o Brasil estão entre os 29 Estados-membros do órgão que esta sexta-feira votaram a favor da resolução que teve 14 abstenções. 

Manifestações

Segundo a decisão, o Conselho deve “enviar urgentemente” os investigadores que serão apontados pelo seu presidente “a áreas como Jerusalém Oriental e, particularmente, na Faixa de Gaza, no contexto das manifestações iniciadas a 30 de março”.

Falando na sessão especial sobre a situação nos Territórios Palestinos, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, afirmou que os autores dos atos devem ser responsabilizados.

Segundo ele, desde que os protestos começaram, 87 palestinos foram mortos pelas forças de segurança israelenses, incluindo 12 crianças. O total de feridos passa de 12 mil, sendo que 3,5 mil por armas de fogo. São pessoas que “levaram tiros nas costas, no peito e até na cabeça”. 

Alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein.
Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
Alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein.

Ameaça

Apesar dos palestinos terem jogado pedras e coquetéis Molotov do outro lado da cerca entre Gaza e Israel, essas ações, segundo Zeid, “não são uma ameaça iminente à vida”.

Para o alto comissário, houve uma “uma resposta totalmente desproporcional à violência ocorrida em Gaza”.

Ele disse que no auge dos protestos, na segunda-feira, as forças de segurança de Israel mataram 60 pessoas, o número mais alto de mortes em apenas um único dia em Gaza desde 2014.

Zeid Al Hussein também pediu o fim da ocupação, porque com isso, “a violência e a insegurança irão desaparecer”.

Responsabilidade

Na sessão especial do Conselho de Direitos Humanos, o relator especial sobre a situação dos direitos humanos nos Territórios Palestinos, Michael Lynk, disse que “a responsabilidade pelas péssimas condições em Gaza também cabe ao movimento palestino Hamas, à Autoridade Palestina e ao Egito”. Ele afirmou que todos os lados também devem cumprir suas obrigações para com o povo de Gaza.

Após defender que se chegue a um entendimento pela via de direitos humanos, o relator disse que israelenses e palestinos estão ligados uns aos outros, “vivem sob o mesmo céu, na mesma terra e que seus futuros estão interligados”.

Total de feridos em Gaza passa de 12 mil, sendo que 3,5 mil por armas de fogo.
@OCHA oPt
Total de feridos em Gaza passa de 12 mil, sendo que 3,5 mil por armas de fogo.

Oportunidades

A sessão foi convocada após a intervenção de forças israelenses na sétima semana consecutiva de protestos na cerca que separa Israel e Gaza. Na chamada Grande Marcha do Retorno, Zeid disse que um soldado de Israel teria sido ligeiramente ferido por uma pedra.

Para o chefe dos Direitos Humanos, as duas partes “têm os mesmos direitos de viver em segurança em suas casas, em liberdade, com serviços e oportunidades adequados e essenciais”.  

 

Apresentação: Daniela Gross.

 

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