Jovens carentes do Brasil apresentam clássicos da música e são aplaudidos de pé na ONU
BR

17 maio 2018

Apresentação da Orquestra Camerata Jovem do Rio de Janeiro no prédio da Assembleia Geral incluiu composições de Mozart e Bach e Aquarela do Brasil, de Ary Barroso; moradores da Babilônia e de Vila Isabel contam sobre a emoção de tocar para diplomatas internacionais.

Davi dos Santos Nascimento tem 21 anos e é morador do Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro. Há sete anos, começou a tocar contrabaixo, sem nem imaginar como o instrumento lhe daria chances únicas na vida.

Davi é um dos 14 músicos da Orquestra Camerata Jovem do Rio de Janeiro. Todos são moradores de favelas da cidade.

Expectativa 

Pela primeira vez em Nova Iorque, a Orquestra Camerata Jovem tocou na sede das Nações Unidas nesta quarta-feira. Antes do concerto, o contrabaixista Davi compartilhou com a ONU News um pouquinho do nervosismo de se apresentar no palco da diplomacia internacional.

“Ah, é muito emocionante, estou meio apreensivo, o estômago meio embrulhando. É uma emoção muito grande. Eu acho que a gente vai fazer bonito, vamos representar o Brasil. Na verdade, eu nunca pensei que eu chegaria até aqui com meu contrabaixo. Por isso que eu digo que ele é meu companheiro, sabe, ele que me leva para os lugares. Eu não imaginava, não, confesso para a senhora que eu não imaginava, mas estou feliz por isso. ”

Longe de casa e de instrumento na mão, esses jovens conseguem esquecer um pouco da realidade violenta de onde vivem. O repertório do concerto da ONU incluiu composições de Bach, de Mozart, de Carinhoso, de Pixinguinha e claro, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.

 

Linguagem Universal 

Morador da comunidade de Vila Isabel, Renan de Paula da Conceição tem 20 anos e toca viola e percussão. Há um ano se juntou à Orquestra Camerata Jovem do Rio de Janeiro.

Quando era adolescente, Renan achava que tocar um instrumento musical era algo só para pessoas mais favorecidas. Mas logo aprendeu que a música não tem classe social. 

Violino, viola, violoncelo, o que vou fazer com essas coisas? Isso é geralmente para gente de classe média, alta. Mas aí eu falei, poxa, sempre gostei de música. Vou me aventurar e estou aí até hoje.  Aqui na ONU, tem vários representantes. Às vezes você não pode falar inglês ou português, mas ao tocar um instrumento, as pessoas vão identificar a música, o autor, o compositor. É uma língua universal. É muito emocionante. ”

“Violino, viola, violoncelo, o que vou fazer com essas coisas? Isso é geralmente para gente de classe média, alta. Mas aí eu falei, poxa, sempre gostei de música. Vou me aventurar e estou aí até hoje.

E foi com muita emoção que esses 14 jovens de comunidades carentes do Rio se apresentaram para um público internacional na sede das Nações Unidas. O concerto teve diversos toques brasileiros, incluindo Garota de Ipanema e até uma pequena roda de capoeira.

Emoção 

A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) foi uma entre dezenas de pessoas que se emocionaram com o talento dos jovens da orquestra.

“Isso é o Brasil, né? Nossa, como a cultura, a arte são ferramentas poderosas de inclusão. Começa na inclusão deles mas olha o que eles movimentaram aqui, isso toca o coração das pessoas. Faz as pessoas refletirem, com uma música dessas com a energia que eles emanam, faz as pessoas refletirem sobre muitas coisas.”

A Orquestra Camerata Jovem do Rio de Janeiro é uma iniciativa da Ação Social pela Música do Brasil. O concerto na ONU foi o terceiro do grupo em território internacional.

No ano passado, os jovens se apresentaram na Alemanha e na Holanda. Da ONU News em Nova Iorque, Leda Letra.

 

Foto: ONU News/Leda Letra
Orquestra Camerata Jovem do Rio de Janeiro tocou na sede da ONU em Nova Iorque.

Apresentação: Leda Letra.

Imagens: Daniela Gross.

Edição de som: Carlos Macias. 

 

 

 

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