FAO lança guia florestal para ajudar comunidades mais pobres e isoladas

Dia Internacional das Florestas
FAO/Rudolf Hahn
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FAO lança guia florestal para ajudar comunidades mais pobres e isoladas

Clima e Meio Ambiente

Publicação é a primeira do tipo com recomendações voluntárias para licenciamento de florestas; meta é garantir transparência, responsabilidade e inclusão no processo de concessão.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura Alimentação, FAO, divulgou uma lista de diretrizes voluntárias para concessão de florestas tropicais.

A meta do documento, é tornar o processo mais transparente, responsável e inclusivo.  A agência quer “beneficiar as pessoas mais pobres e comunidades mais isoladas do mundo”.

Recomendações

A base das diretrizes são exemplos reais para oferecer um guia prático para um gerenciamento mais sustentável das florestas públicas administradas através de concessões.

A líder do time de governança e economia florestal da FAO, Thais Linhares Juvenal, falou de Roma com a ONU News, e disse que durante o processo foram encontrados bons e maus exemplos.

“Nós temos o caso brasileiro, em que as concessões também foram trabalhadas em um nível de monitoramento bastante estrito, com o uso de tecnologia de satélite, o uso de drones, por exemplo, para monitorar o que sai da concessão, e que hoje permite que realmente essa madeira de concessão seja rastreada, e que ela seja uma verdadeira fonte de produto sustentável.”

Moçambique, que segundo Thais tem hoje cerca de 200 concessões florestais, também participou do processo.

“É um país que hoje está envolvido na reforma deste setor de produção para tornar este setor de produção cada vez mais sustentável. Os desafios são muitos, mas é um governo, é um país que efetivamente abraçou a importância da questão da produção florestal, e está fazendo parcerias com diversas instituições internacionais, inclusive a FAO, para realmente fazer este ajuste do setor. ”

Mudança

Participaram nas consultas mais de 300 especialistas de setores privados e públicos, além de representantes das sociedades civis de países da África, Ásia-Pacífico e América Latina.

Segundo a FAO, mais de 70% das florestas nos trópicos utilizadas para a captação de madeira e outros produtos florestais são estatais ou públicas. A maior parte destas florestas públicas são geranciadas atráves de licenciamentos que governos cedem para entidades privadas ou comunidades locais.

A lista contém princípios a serem respeitados por todas as partes envolvidas nos processos de licenciamento, incluindo governos, empresários, comunidades locais, doadores e organizações não-governamentais.

Você pode imaginar um mundo sem florestas? Acompanhe o vídeo abaixo.

Can you picture a world without forests?

Degradação

O documento sugere uma mudança de objetivos de manejo de curto prazo, que podem provocar degradações, para estratégias de longo prazo, com florestas tropicais verdadeiramente sustentáveis.

De acordo com a ONU, a maior perda de florestas nas últimas duas décadas ocorreu em países em desenvolvimento na África Subsaariana, Sudeste Asiático e América Latina.

O guia destaca que concessões florestais sempre existiram em muitos dos países mais pobres, mas a contribuição delas nem sempre foi positiva. Ao mesmo tempo que geram empregos e renda para pessoas de áreas remotas, em muitos casos estas “deixam um rastro de florestas degradas e conflitos de posse”.

Problemas

Ainda de acordo com a publicação, os problemas sobre concessões envolvem administrações ineficientes devido à falta de capacidade em gerenciamento de florestas tropicais, governança fraca, regras complicadas e foco em benefícios a curto prazo.

Para a FAO, estas falhas podem levar ao excesso de manejo, divisão de benefícios inadequada, falta de reconhecimento dos direitos dos moradores locais e nenhum retorno econômico.

Apresentação: Daniela Gross