Jovens lusófonos reúnem-se em Moçambique para discutir património

4 maio 2018

Grupo de jovens de países de expressão portuguesa participa em evento da Unesco em Moçambique sobre património mundial africano; 5 de maio é o dia do Património Mundial Africano.

Durante seis dias, um grupo de 18 jovens de países lusófonos está reunido na Ilha de Moçambique para debater o património mundial africano. O evento é uma iniciativa da Organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

O encontro junta dois participantes de Angola, dois de São Tomé e Príncipe, dois da Guiné-Bissau, seis da Ilha de Moçambique, e seis de outras províncias do país. Participa também uma jovem da Namíbia que fala português.

Objetivo

O chefe de programas do Fundo Africano de Património Mundial, Albino Jopela, é um dos organizadores do evento. Numa entrevista à ONU News, Jopela explicou o propósito da iniciativa.

“O principal objetivo do fórum é juntar jovens que estejam, de alguma forma, envolvidos com património para debater várias questões. A principal delas é como é que se pode melhor integrar as perspectivas da juventude e motivar para ter um maior envolvimento em assuntos de conservação, preservação e promoção do património mundial em África. ”

A Ilha de Moçambique foi a primeira capital moçambicana. Devido à sua história e riqueza arquitetónica, este espaço foi considerado Património Mundial da Humanidade pela Unesco em 1991.

Unesco/Joost De Raeymaeker
Recentemente, a Unesco adicionou M'Banza Kongo, em Angola, à lista de locais Património da Humanidade. O local foi a capital do antigo reino do Congo.

Programa

Em seis dias, os jovens devem visitar partes da ilha. Também trabalham com um grupo de facilitadores, que lhes dará capacitação sobre vários temas.

Os facilitadores incluíram um professor da Universidade Lúrio, da província de Nampula, um técnico do Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique, um especialista do Centro de Património Mundial de Paris, e um arquiteto da Direção Geral de Património Cultural de Portugal.  

Albino Jopela explicou à ONU News alguns dos temas abordados.  

“Estão a trabalhar em questões muito específicas da ilha, olhando para aquilo que são as narrativas. Por exemplo, a questão da existência ou não de um roteiro de visita à ilha. Roteiro esse que seria apresentado aos turistas ou qualquer outro visitante. ”

Encerramento

O evento termina no sábado, 5 de maio, Dia do Património Mundial Africano. Jopela diz que “esta data serve para celebrar sítios precisamente como a Ilha de Moçambique. ”

A cerimónia de encerramento acontece no Jardim da Memória, um espaço relacionado com a história da escravatura e o papel deste local nesse processo.

Os jovens vão apresentar os seus projetos individuais, que devem incluir uma proposta sobre a apresentação e interpretação da ilha.

Para além disso, vai ser apresentada uma Declaração da Juventude, que será entregue às autoridades locais. Jopela diz que o documento, que foi elaborado e debatido ao longo do fórum, deve “incluir as ideias, perspectivas e aspirações da juventude, que ficam assim encapsuladas numa declaração. ”

Acontecerá também uma marcha, passando por alguns pontos emblemáticos, apresentações de teatro e de associações culturais.

Este fórum acontece pela terceira vez. A primeira edição aconteceu em 2016 e foi dedicada aos países anglófonos de África. No ano passado, o evento foi dedicado aos países francófonos.

Apresentação: Alexandre Soares.

 

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