Investigadores continuam sem entrar em Duma para investigar suposto ataque químico na Síria

18 abril 2018

Especialistas de segurança da ONU tiveram de retirar do local devido a disparos e uma explosão; enviado especial do secretário-geral tenta relançar processo de paz; Assembleia Geral discutiu missão do mecanismo que investiga crimes cometidos na Síria.

Os investigadores da Organização para Proibição de Armas Químicas, Opaq, que devem apurar um suposto ataque químico na Síria, continuam sem acesso ao local do incidente.

Em nota publicada esta quarta-feira, o diretor-geral da Opaq, Ahmet Üzümcü, disse que “não sabe quando é que a equipa poderá ser enviada para Duma.”

Mais de 70 pessoas morreram na cidade síria durante um suposto ataque químico, a 7 de abril. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, cerca de 500 pessoas ficaram feridas.

Segurança

O Departamento para a Segurança da ONU, Undss, realizou uma primeira visita aos locais na terça-feira, para confirmar se os investigadores da Opaq podiam ser destacados.

No primeiro local, juntou-se uma multidão e o grupo decidiu retirar. No segundo local, armas foram disparadas e aconteceu uma explosão. Os investigadores decidiram regressar a Damasco.

A Opaq promete continuar o trabalho com a Autoridade Nacional Síria, a Policia Militar russa e as autoridades locais para avaliar a situação de segurança. O grupo está em Damasco desde sábado.

O diretor-geral diz que os incidentes “sublinham, uma vez mais, o ambiente altamente volátil” em que trabalham.

Opaq
Inspetores da Opaq numa sessão de treino.

Processo de paz

Entretanto, o porta-voz do secretário-geral anunciou que o enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura, realiza uma série de encontros de alto nível para saber se é possível relançar um processo de paz negociado pela ONU.

Mistura reuniu-se com vários ministros dos negócios estrangeiros durante a Cimeira da Liga dos Estados Árabes e também encontrou a alta representante da União Europeia, Federica Mogherini.

Neste momento, o enviado especial está na Turquia. Segue depois para a Rússia e para o Irão. As conversações vão continuar na Bélgica, a 24 e 25 de abril, durante a Conferência de Bruxelas.

No final, Mistura vai informar o secretário-geral e o Conselho de Segurança sobre as suas conclusões.

Mecanismo

A chefe do mecanismo que investiga os crimes na Síria cometidos desde o início do conflito disse esta quarta-feira, na Assembleia Geral da ONU, que “os horrores sofridos pelo povo sírio nos últimos sete anos desafiam qualquer descrição.”

A Assembleia Geral realizou um debate informal sobre este mecanismo, que foi estabelecido em 2016. Catherine Marchi-Uhel afirmou que “a continuação da morte e do sofrimento generalizados, incluindo alegações recentes sobre o uso de armas químicas, são uma lembrança forte da importância da justiça para as vítimas.”

A representante lembrou que “o mecanismo não é um tribunal”. O instrumento tem dois objetivos: primeiro, recolher e preservar provas de crimes e, segundo, preparar arquivos para facilitar e agilizar processos criminais no futuro.

No seu discurso, Marchi-Uhel anunciou um novo acordo com a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria. O mecanismo vai poder usar uma parte do material recolhido pela comissão para o seu trabalho. Neste momento, os investigadores já estão a rever o material.

A chefe terminou dizendo que “o mecanismo pode ter um impacto real na garantia de justiça para as vítimas de crimes na Síria.”

 

Apresentação: Alexandre Soares

 

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