“A Guerra Fria está de volta”, declara na ONU António Guterres

13 abril 2018

Em reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a Síria, secretário-geral diz que retorno voltou com “vingança”; para ele, situação no Oriente Médio está caótica.

A pedido da Rússia, o Conselho de Segurança reuniu-se nesta sexta-feira para debater a Síria e outros países do Oriente Médio, com a participação do secretário-geral da ONU. António Guterres afirmou que a situação no Oriente Médio está um caos tão grande, que já se tornou uma ameaça à segurança e à paz internacionais.

Guterres declarou que “a Guerra Fria está de volta, mas com uma diferença”. Segundo ele, os mecanismos para controlar os riscos da escalada que existiam no passado já não estão mais presentes.

Região

O chefe da ONU mencionou várias divisões no Oriente Médio, como a divisão entre israelenses e palestinos ou divisões religiosas, que “são normalmente o resultado de manipulações políticas ou geo-estratégicas”.

Sobre o Iêmen, ele falou que o mundo acompanha ao “pior desastre humanitário da atualidade” e voltou a pedir um acordo político por meio de um diálogo inclusivo com os iemenitas.

Sendo a Síria o foco do encontro no Conselho de Segurança, António Guterres explicou que os confrontos envolvem Exércitos de vários países, grupos armados da oposição, milícias, combatentes internacionais e organizações terroristas.

Solução política

O secretário-geral reforçou não haver “nenhuma solução militar para o conflito”, sendo que a solução deve ser política, por meio de debates em Genebra mediados por seu enviado especial, Staffan de Mistura.
 

Guterres descreveu os “horrores” já enfrentados pelos sírios: atrocidades, cerco, fome, ataques contra civis, uso de armas químicas, deslocamento forçado, violência sexual, tortura, detenção e desaparecimentos forçados.

Armas químicas

Apesar de decisões do Conselho de Segurança pedindo cessar-fogo, as partes em conflito nunca fizeram esse tipo de pausa. Segundo Guterres, esse é o panorama sombrio da Síria e por isso, ele está indignado com relatos do uso de armas químicas no país.

Ao condenar fortemente esses ataques, Guterres lembra que utilizar armas químicas é repugnante e uma violação clara da lei internacional. Ele voltou a pedir uma investigação imparcial e independente.

O chefe da ONU falou também sobre a carta que enviou esta semana ao Conselho de Segurança, dizendo estar totalmente decepcionado com o órgão pela falha em entrar em um acordo sobre um mecanismo para atribuir responsabilidade pelo uso de armas químicas na Síria.

Guterres também falou sobre o risco que existe das coisas “saírem de controle” e disse que é dever comum da comunidade internacional evitar que isso aconteça.

Apresentação: Monica Grayley.