ONU pede cerca de US$ 2,2 bilhões para socorrer congoleses de crise humanitária

13 abril 2018

Em conferência em Genebra, subsecretário-geral Mark Lowcock diz que violência alastrou para novas áreas; país enfrenta surto de cólera e “epidemia de violência sexual"; valor deve cobrir necessidades na RD Congo e na região.

O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários alertou que as necessidades humanitárias crescem na República Democrática do Congo, RD Congo, ao pedir quase US$ 2,2 bilhões para prestar auxílio à população.

Falando esta sexta-feira na conferência de doadores sobre o país, em Genebra, Mark Lowcock disse que esta quantia deve beneficiar cerca de 10,5 milhões de pessoas precisando de ajuda urgente dentro no país e outras na região. O valor pedido é “quatro vezes maior do que foi arrecadado no ano passado”.

Violência

De acordo com o representante, cerca de US$ 504 milhões devem apoiar 807 mil refugiados congoleses nos países vizinhos e mais de 540 mil refugiados de outras nações que buscam abrigo na RD Congo.

O chefe humanitário destacou que as raízes da atual crise são o conflito étnico, a política e a economia. Lowcock sublinhou que a violência étnica piorou no leste congolês.

Em várias áreas aonde os conflitos armados e desastres ainda não tinham chegado, ocorreram altos níveis de violência no ano passado.

Gastos

Lowcock disse ainda que a transição política cria tensões e que a RD Congo sofre choques externos, com a queda vertiginosa no preço das matérias-primas. A situação afeta a moeda, faz subir a inflação e as pressões sobre os gastos públicos criando dificuldades em todo o país.

No total, cerca de 13 milhões de pessoas vão precisar de assistência humanitária este ano.

A RD Congo também enfrenta epidemias que incluem o pior surto de cólera em 15 anos. Lowcock destacou ainda a “epidemia de violência sexual”, que na maior parte dos casos não é declarada nem tratada e em grande parte afeta crianças.

Produção

Os desafios humanitários na RD Congo incluem a região do Kassai onde milhares de agricultores perderam três temporadas agrícolas seguidas, no que provocou uma queda na produção agrícola.

Em fevereiro, o conflito interétnico em Itúri, uma área do leste que enfrenta conflito com rebeldes, ressurgiu provocando a “morte de muitas pessoas  eum deslocamento interno e transfronteiriço ainda maior”.

Lowcock explicou que solidariedade internacional com o povo congolês continua vital.

O chefe humanitário destacou ainda que durante os últimos 15 anos melhorou a infraestrutura nas principais cidades, o acesso à educação, caiu a mortalidade infantil aumentaram os índices de imunização sob a liderança do governo.

Apresentação: Eleutério Guevane.