Síria: milhares de homens, mulheres e crianças são vítimas da violência sexual

29 março 2018

Novo relatório mostra que problema de abuso e estupro é estrutural e cometido por todas as partes do conflito no país árabe; especialistas esperam que responsáveis sejam julgados.

Milhares de homens, mulheres e crianças já foram afetados pela violência sexual e de género desde o início do conflito na Síria, segundo um novo relatório da ONU.

O estudo foi lançado pela Comissão de Inquérito sobre o país.

O presidente da comissão, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, considerou “completamente repugnante que atos brutais de violência sexual e de género tenham sido cometidos em toda a Síria nos últimos seis anos e meio.”

Crimes

Os autores do relatório entrevistaram 454 sobreviventes, familiares, profissionais de saúde, advogados e outros membros das comunidades. Segundo o estudo, a violência é cometida por todas as partes do conflito e incluem estupro, assédio e tortura.

O relatório inclui nomes de responsáveis, indicando os autores dos crimes em milícias, forças do governo e outros grupos armados. A comissária Karen AbuZayd explicou que “os crimes ficaram documentados e poderão ser julgados.”

A comissária acredita que “para a paz ser duradoura, é necessário uma responsabilização destes crimes e que as vítimas tenham uma voz no processo.”

Género

O relatório mostra que este tipo de violência é usado como arma. A secretária-geral da Liga Internacional de Mulheres para Paz e Liberdade, Madeleine Rees, acredita que se trata de um crime contra a humanidade. Segundo ela, “este é um assunto estrutural, que afeta homens, mulheres, meninos e meninas."

Meninas e mulheres são mais afetadas, mas os homens e meninos também são vítimas de abusos muitas vezes. A comissária AbuZayd lembrou a história de vários entrevistados que foram vítimas de estupro. Estes homens acreditavam que iam perder o respeito dos pais se eles soubessem o que tinha acontecido.

Uma das conselheiras da comissão, Serena Gates, disse que os autores do relatório “ficavam sempre impressionados com a força de muitas destas pessoas e como sobrevivem." Para Gates, "o ponto principal é que muitas vezes violência sexual e de género gera conflito e o ciclo de violência perpetua-se."

 

Apresentação: Alexandre Soares

 

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