Guterres quer acordo sobre reforma de missões de paz aprovado até dezembro

28 março 2018

Conselho de Segurança debateu formas de melhorar operações em sessão nesta quarta-feira; em setembro ONU realiza encontro de alto nível sobre o tema.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta quarta-feira no Conselho de Segurança que chegou a hora de reformar as missões de paz das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança debateu o tema, num encontro de alto nível, em Nova Iorque, para avaliar formas de melhorar as operações em todo o mundo.

Desafios

Guterres afirmou que as operações de paz podem ser “um feito notável de multilateralismo e solidariedade internacional”, mas que apesar disso “enfrentam desafios sérios, em particular nas suas quatro maiores missões: Mali, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Sudão do Sul.

O chefe da ONU acredita que os soldados da paz “operam em ambientes mais perigosos, complexos e de alto risco.” Estão sob ameaça de grupos armados e terroristas, que têm acesso a armas poderosas.

Os boinas-azuis “têm frequentemente com falta de equipamento e são pouco preparados para os ambientes perigosos em que operam.” Guterres explicou que estes homens e mulheres “estão vulneráveis e tornaram-se alvos para ataques.”

Em 2016, morreram 34 soldados da paz. No ano passado, esse número subiu para 59. Guterres considerou “estes números inaceitáveis” e prometeu que a organização “nunca irá esquecer o seu sacrifício.”

Reformas

O secretário-geral explicou que os desafios precisam de uma “ação forte e coletiva” que deve focar-se em três áreas: atualização de expectativas, reforço de missões e, finalmente, mobilização de mais apoio para soluções políticas.

Segundo Guterres, “as operações de paz não podem ter sucesso se forem usadas no lugar de uma solução política” porque “estraga-se o instrumento da manutenção de paz, e mesmo o multilateralismo, quando se criam expectativas irrealistas.”

Ele afirmou que o Secretariado já começou a fazer mudanças. Primeiro, aumentou a segurança das forças. Segundo, está a realizar avaliações independentes das missões. Terceiro: criou respostas para os casos de abusos sexuais. E, quarto: está a conduzir uma reforma da estrutura de paz e segurança.

Acordo

As missões de paz da ONU celebram este ano o seu 70º aniversário.

Guterres disse que é necessário “um salto gigante no compromisso político” e que é por isso que está a lançar uma nova iniciativa, chamada Ação para a Manutenção de Paz.

Em setembro, A ONU terá um encontro de alto nível em setembro, à margem dos debates anuais da Assembleia Geral sobre o assunto. Guterres disse esperar “um acordo formal até ao final do ano.”

Minusma/Harandane Dicko
Soldados de paz da Minusma.

O secretário-geral contou ter seis pedidos para este novo documento. Um deles é a simplificação de mandatos. 

Guterres quer o fim de mandatos que, segundo ele, se assemelham a “árvores de Natal”. Ele deu o exemplo da missão no Sudão do Sul, que tem 209 objetivos. Segundo ele, “ao tentar-se demasiado, diluem-se os esforços e enfraquece-se o impacto.”

O chefe da ONU pediu ainda uma maior concentração em soluções políticas, um reforço das parcerias com organizações regionais e mais recursos humanos e financeiros.

Guterres afirmou estar “firmemente comprometido com a disciplina fiscal”, mas explicou que “cortes arbitrários nos orçamentos prejudicam os esforços para implementar mandatos ambiciosos e de longo alcance.”

Apresentação: Alexandre Soares.

 

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