São Tomé e Príncipe na lista para graduação à economia de renda média

15 março 2018

Arquipélago passou na análise de rendimento nacional bruto e acesso a melhores cuidados de saúde e educação; candidatura do Timor-Leste, que também estava na relação inicial, não avançou; Angola deve ascender para economia de renda média em 2021.

São Tomé e Príncipe é um dos quatro países que podem ser recomendados pelas Nações Unidas para graduar-se à categoria de economia de renda média.

O Comité da ONU para Política de Desenvolvimento revelou, esta quinta-feira, que Butão, Kiribati e Ilhas Salomão também devem ser analisados este ano. A recomendação do Comité deve ser endossada pelo Conselho Económico e Social.

Critérios

Os quatro países da lista obedecem aos critérios de rendimento nacional bruto e acesso a melhores cuidados de saúde e educação.

O representante de São Tomé e Príncipe junto às Nações Unidas, Alcínio e Silva, afirmou que o processo de graduação é um reflexo do trabalho de desenvolvimento que o governo sãotomense começou a fazer há vários anos.

Vulnerabilidade

“São Tomé e Príncipe tem seu plano próprio de desenvolvimento e acentua-se principalmente nos progressos alcançados, no rendimento per capita e na formação do capital humano que o país considerava que satisfazia os critérios de elegibilidade apesar do incumprimento do índice de vulnerabilidade econômica.”

De acordo com Alcínio e Silva, existem ainda alguns desafios no quadro atual de São Tomé e Príncipe o que se deve também por sua localização geográfica e os problemas da mudança climática.

Isolamento

“Persiste ainda um conjunto de vulnerabilidades conjunturais sobretudo e estruturais decorrentes da sua condição de um pequeno Estado insular. Está sujeito a desafios sobretudo de isolamento. Um mercado exíguo com parcos recursos, muito suscetível também a choques exógenos que sofrem um impacto interno, sem falar de outras questões como a questão das alterações climático. ”

Entre 2003 a 2018, São Tomé e Príncipe conseguiu triplicar o Produto Interno Bruto, PIB, e baixar a taxa de mortalidade das crianças com menos de  cinco anos. Além disso, o país mais do que dobrou o número de matrículados no ensino secundário.

Desenvolvimento

Tal como Butão, Kiribati e Ilhas Salomão o país lusófono continua a cumprir os critérios de renda per capita e de desenvolvimento humano, mas não o de vulnerabilidade económica.

Segundo  presidente do Comité da ONU para Política de Desenvolvimento, José António Ocampo, o momento é histórico porque subiu em mais de metade o número de países identificados para graduação. A comissão tem a divisão de países menos desenvolvidos, com 47 Estados, de renda média e de renda alta.

Timor-Leste e Angola

Timor-Leste e Nepal ficaram de fora da lista dos países recomendados embora cumpram os critérios de graduação por “desafios económicos e políticos”. Ambos poderão vir a ser novamente considerados na revisão do órgão a decorrer em 2021, caso continuem na mesma situação.

Ocampo contou que 47 anos após a fundação do grupo de Países Menos Desenvolvidos, PMA, apenas cinco economias deixaram a lista.

Angola foi citada pela Comissão pela possível passagem para economia de renda média em 2021. 

Apresentação:  Monica Grayley.