Meninas refugiadas têm metade da probabilidade de ir à escola do que os meninos

7 março 2018

Relatório explica que convenções sociais e culturais contribuem para priorização dos rapazes; alto comissário para refugiados disse que novos dados são chamada de atenção global. 

As meninas e adolescentes refugiadas entre o 5º e o 9º anos escolares têm metade da probabilidade de ir à escola do que os rapazes, segundo um relatório da Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.

A pesquisa, com o título “Her Turn”, “A Vez Dela” em português, diz que “para milhões de mulheres e meninas refugiadas a educação permanece uma aspiração, não uma realidade.”  

Exclusão

O alto comissário para os refugiados, Filippo Grandi, defendeu que “é hora de a comunidade internacional reconhecer a injustiça de negar uma educação às mulheres e meninas.” Segundo ele, os novos dados do relatório “são uma chamada de atenção global.”

O alto comissário disse que “existem grandes barreiras para ultrapassar” e pediu “um esforço internacional para mudar essa corrente.”

Para Grandi, “encontrar soluções exige ação de todos os lados – Ministérios da Educação, instituições de ensino, comunidades, salas de aulas.”

O relatório explica que convenções sociais e culturais contribuem para a priorização dos rapazes, mas que uma série de ações pode melhorar a situação.

Se os adultos poderem trabalhar e sustentar a sua família, informa o relatório, é mais provável deixaram os filhos na escola. Se as meninas estiverem protegidas de abusos, isso também contribui. O relatório destaca ainda uma “necessidade urgente” de recrutar mais professoras mulheres.

Benefícios

Grandi diz que “se a educação das meninas refugiadas continuar a ser negligenciada, as consequências serão sentidas durante várias gerações.”

Segundo a pesquisa, uma educação reduz a vulnerabilidade das mulheres a exploração, violência sexual e de gênero, gravidez na adolescência e casamento infantil. Se todas as mulheres terminassem o seu ensino primário, desceriam também as mortes infantis por diarreia, malária e pneumonia.

O relatório diz que quanto mais as meninas avançam na escola, mais capacidades de liderança, iniciativa e resiliência têm. O estudo ilustra estas ideias com histórias de jovens de Ruanda, Burundi e Mianmar.

Apenas 61% das crianças refugiadas tem acesso à educação primária, comparando com uma média internacional de 91%. No nível intermédio, o número reduz para 23%, que compara com 84% a nível global.