Comissão de Inquérito sobre a Síria pede justiça imediata para vítimas do conflito
BR

6 março 2018

Brasileiro que preside o órgão, Paulo Sérgio Pinheiro, ressalta necessidade de justiça penal e atenção a milhares de pessoas que desapareceram ou foram sequestradas; batalha contra o Isil teve um “preço extremamente alto para os civis”.

A Comissão de Inquérito sobre a Síria divulgou nesta terça-feira seu novo relatório sobre violações ocorridas entre julho de 2017 e janeiro de 2018. O documento é baseado em informações obtidas em mais de 500 entrevistas, destacando ações militares contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, em Ar-Raqqah e Dayr al-Zawr.

O grupo criado pelas Nações Unidas documenta também o aumento da violência em Idlib e em Ghouta Oriental.

Impunidade

O principal ponto do relatório é um pedido à comunidade internacional para que tome, com urgência, medidas que garantam justiça às vítimas do conflito. A Comissão de Inquérito sobre a Síria denuncia também a “completa impunidade” dos autores dos crimes.

O professor brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro preside a Comissão e declarou ser impossível entender a falta de justiça aos sobreviventes da guerra síria. Ele falou com a ONU News de Genebra, na Suíça, onde foi lançado o relatório, destacando a questão dos desaparecidos e detidos.

Recomendações

“As famílias sírias faz sete anos que estão cobrando, elas não sabem onde estão seus entes queridos. Essa questão é algo que começa a ser tratado pelo triplo mecanismo de investigação independente, que deverá preparar os casos a serem submetidos aos tribunais. Analisamos a situação e fazemos várias recomendações, inclusive a criação de um organismo patrocinado pelos Estados para justamente fazer esse levantamento. Mas isso só pode ter lugar no bojo da negociação política.”

Segundo a Comissão de Inquérito sobre a Síria, as ofensivas bem-sucedidas para retirar os terroristas do Isil de Ar-Raqqah e de Dayr al-Zawr tiveram um preço muito alto para os civis.

Fome

O relatório também denuncia ações tomadas pelo governo sírio, que levaram a população a passar fome, como explica Paulo Sérgio Pinheiro.

“Quando você fala desses ataques ao Estado Islâmico, as pessoas se esquecem que existe uma população civil aterrorizada e submetida por essa organização terrorista. E evidentemente a derrota do Estado Islâmico, através de bombardeios, atingiu severamente a sobrevivência dessas populações civis. Desde a manutenção alimentar até o problema do seu acesso aos direitos mais básicos de sobrevivência.”

A Comissão de Inquérito sobre a Síria lembra que a guerra no país começou há sete anos e que o cerco em Ghouta Oriental acontece há cinco anos, levando aos “piores casos de desnutrição” no país e marcado por “ataques indiscriminados a civis”.

Entrega de alimentos

Também nesta terça-feira, o Escritório da ONU para Coordenação de Assistência Humanitária, Ocha, explicou que ataques aéreos e bombardeios em Duma, Ghouta Oriental, e bombardeios na capital Damasco atrapalharam a distribuição de comida para 27,5 mil pessoas.

Depois de nove horas, as equipes humanitárias resolveram sair da área por razões de segurança. Do comboio de 46 caminhões, não foi possível descarregar mantimentos de 14 caminhões.

Apresentação: Leda Letra.