Zeid: É hora de o Conselho de Segurança acabar com o “pernicioso uso” do veto
BR

26 fevereiro 2018

Em declaração aos participantes de 37ª. sessão do Conselho de Direitos Humanos, alto comissário da ONU também falou sobre xenofobia, racismo e a defesa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completa 70 anos em 2018.

Em declaração aos participantes de 37ª. sessão do Conselho de Direitos Humanos, alto comissário da ONU também falou sobre xenofobia, racismo e a defesa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completa 70 anos em 2018.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.

O alto comissário para direitos humanos das Nações Unidas expressou cautela com um cessar-fogo de 30 dias na Síria, anunciado numa resolução do Conselho de Segurança, no sábado.

Zeid Al Hussein discursou em Genebra, na Suíça, na abertura da 37ª. sessão do Conselho de Direitos Humanos. Para ele, a falta de solução para o conflito sírio passa pela atuação do Conselho de Segurança da ONU.

Responsabilidade

Segundo o alto comissário, a França tem demonstrado uma liderança admirável dentro os países com assentos permanentes no Conselho e que têm poder de veto. Zeid Al Hussein disse que o Reino Unido juntou-se à França na aplicação de um código para usar o veto.

Para ele, China, Estados Unidos e Rússia deveriam fazer o mesmo e evitar o que ele chamou de “uso pernicioso” do recurso.

A resolução adotada numa sessão de emergência no sábado prevê o fim dos combates em Ghouta Oriental, por 30 dias, para que seja possível a passagem de ajuda humanitária e a evacuação de doentes graves.  Em apenas uma semana, 350 pessoas foram assassinadas na cidade.

Zeid afirmou que a responsabilidade pela continuação de tanta dor é do Conselho de Segurança, responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais.

Cargo

O alto comissário lembrou que esta deve ser sua última participação no posto numa sessão do Conselho. Ele deve deixar o cargo em setembro.

Zeid chamou a atenção para aumento dos casos de xenofobia e ódio e da opressão, que segundo ele voltou à moda com o estado de segurança em muitas partes. Este 2018, a Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 70 anos e o alto comissário prometeu defendê-la sempre com paixão.

O alto comissário voltou a falar do sofrimento de tantas famílias em muitas partes do mundo vítimas do terrorismo brutal, torturas, assassinatos, prisões arbitrárias e outras violações e crimes.

Zeid lembrou de jovens condenados à morte por delitos cometidos quando eram menores de idade. De adolescentes em El Salvador sentenciadas a 30 anos de prisão por aborto involuntário, de uma mulher transgênero na Indonésia humilhada e punida em público.

 O alto comissário afirmou que a inteligência artificial jamais vai reproduzir a coragem moral, o auto sacrifício e acima de tudo o amor pelo próximo que os defensores de direitos humanos nutrem e que os diferencia dos outros.