Moçambique celebra o Dia Internacional da Língua Materna

21 fevereiro 2018

Especialista da Unesco afirma que no país, apenas 10% da população tem o português como língua materna; Emakhuwa é a língua mais falada no país; agência da ONU destaca importância da língua para o aprendizado.

Ouri Pota, da ONU News em Maputo.

Moçambique comemora esta quarta-feira, 21 de fevereiro, o Dia Internacional da Língua Materna. O tema da celebração este ano é “A Diversidade Linguística e o Multilinguismo Contam para o Desenvolvimento Sustentável”.

A ONU News em Moçambique foi às ruas da província de Manica, centro do país, ouvir da população quais são suas palavras preferidas na sua língua-mãe. As palavras foram ditas em Citewe, Echuwabo, CiSena, Cindau e Cinyungwé.

“A minha língua materna é Chitewe , palavras que eu mais gosto Muricuindepe, quer dizer “estás a ir aonde?”… Arsénio Marcelino Veríssimo: ‘a minha língua materna é Chuabo, as palavras que eu gosto de pronunciar na minha língua são, Eu que significa Mio, Você que significa Weyo, Onde vai? Ondovi’. Saíde Guirage Ndau e Cisena: ‘por exemplo em Cindau Goa, significa que são Riachos, depois tem Ginga significa Pinico em Cindau.’ Ferro Paulino Ernesto: ‘ma Cinyungwe, quando digo não quero, Nhonho…”

Segundo a especialista em Moçambique da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, Dulce Domingos Mungoi,  ensinar dois idomas gera bons resultados no processo de aprendizagem.

“Nós sabemos que apenas 10% da população (de Moçambique) tem a língua portuguesa como materna e o nosso sistema de ensino tem o português como a língua de instrução. As crianças aprendem melhor falando a sua língua materna e achamos que a partir destas intervenções a nível das políticas linguísticas, o ensino bilíngue é uma estratégia que o governo tem adoptado para permitir que as crianças tenham um processo de aprendizagem satisfatório.”

International Mother Language Day

A Especialista de Educação de Adultos  da Unesco afirma ainda que o Dia da Língua Materna é motivo de reflexão face às estatísticas que o país enfrenta no sector de ensino.

“Há estudos feitos pelo Ministério da Educação que mostram que em 2013 apenas 6,3 % das crianças adquiriram as competências requeridas. Esta situação três anos depois, ao invés de melhorar, piorou. Estamos apenas com  4,9% das crianças que adquiriram competências de leitura. Consideramos que este pode ser um factor determinante e achamos que numa data como esta, podemos chamar atenção da importância da língua materna no ensino.”

Já Horácio Moisés, ponto focal do ensino bilíngue na provincia do Niassa, norte de Moçambique, destaca a importância da lingua materna na interação entre professor e aluno.

“Na província do Niassa foram introduzidas três linguas: Emakhuwa, Ciyao e Cinyanja. São importantes porque facilitam a comunicação e interação entre professor e aluno, aluno e professor. Fazem com que o  aluno quando sai de casa não encontre um ambiente novo que lhe possa provocar timidez na escola. O ambiente de casa encontra também na escola, ajuda para socializar-se no meio escolar.”

Dados do censo publicado indicam que 25% da população moçambicana tem a língua Emakhuwa como lingua materna, o que faz dela a mais falada no país.

 

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