Especialistas fazem pedido urgente para EUA protegerem jovens migrantes
BR

21 fevereiro 2018

Relatores de direitos humanos querem que país trate da situação de 800 mil pessoas que chegaram aos Estados Unidos quando eram crianças e agora enfrentam risco de serem expulsas; programa expira em 5 de março.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

Especialistas* da ONU em Direitos Humanos estão fazendo um apelo urgente aos Estados Unidos, para que resolvam a situação de centenas de milhares de migrantes que entraram ilegalmente no país quando eram crianças.

O pedido acontece porque no dia 5 de março expira o programa que protege essas pessoas da deportação. Esse programa também garante visto de trabalho para migrantes que entraram nos Estados Unidos antes de completarem 16 anos, estão no Ensino Médio ou já terminaram o Ensino Médio ou o serviço militar e não cometeram nenhum crime sério.

Dreamers

Cerca de 800 mil pessoas foram beneficiadas pelo programa e ficaram conhecidas como “Dreamers”. A maioria chegou aos Estados Unidos vinda do México e o restante saiu de El Salvador, Guatemala e Honduras.

Em um comunicado conjunto, os especialistas dizem estar muito preocupados com o impacto do fim desse programa na vida dos jovens. Se uma solução não for encontrada até o começo de março, os beneficiados não serão mais considerados cidadãos legalizados, nem estarão protegidos do risco de deportação.

Separação

Os representantes de Direitos Humanos pedem que os Estados Unidos tratem da situação com urgência, lembrando que esses migrantes “correm risco de perder seus direitos e serem expulsos de um país onde muitos vivem há décadas”.

Eles destacam que a maioria desses migrantes são mulheres jovens, que tem risco de serem enviadas a países onde o nível de violência é muito grande. Na nota, os especialistas explicam ainda que o fim do programa trará “danos irreparáveis com pessoas sendo separadas de suas famílias e deportadas a países onde não tem praticamente nenhum laço”.

*A nota é assinada por Felipe González Morales, relator especial para os direitos humanos dos migrantes; Elina Steinerte, vice-presidente de Comunicações do Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenção Arbitrária; Nils Melzer, relator especial sobre tortura e outros tratamentos crueis e desumanos; Alda Facio, president do Grupo de Trabalho da ONU sobre discriminação contra mulheres e E. Tendayi Achiume, relatora especial sobre formas contemporâneas de racismo.

Os relatores da ONU para os direitos humanos trabalham de forma voluntária, sem receber salário das Nações Unidas.

 

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