Mais de 10 mil civis foram mortos ou feridos no Afeganistão no ano passado

15 fevereiro 2018

A ONU diz que ataques suicidas e bombas caseiras causaram o maior número de mortos e feridos; número representa uma descida em relação a 2016.

Alexandre Soares, da ONU News em Nova Iorque.

Mais de 10 mil civis no Afeganistão perderam a vida ou sofreram ferimentos em 2017, de acordo com o relatório anual da ONU que documenta o impacto do conflito no país nos seus cidadãos.

Perto de 3,5 mil pessoas morreram e cerca de 7 mil sofreram ferimentos. Os números representam uma descida em relação ao ano anterior. É a primeira vez que isso acontece desde 2012.

Explosivos caseiros

O representante especial do secretário-geral para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, disse que “as estatísticas neste relatório são informação de confiança sobre o impacto da guerra, mas os números sozinhos não conseguem captar o sofrimento causado em pessoas normais, especialmente em mulheres e crianças. ”

A ONU diz que ataques suicidas e bombas caseiras causaram o maior número de mortos e feridos, mostrando a intenção de atingir civis. Yamamoto considerou estes ataques “ilegais” e “vergonhosos”.

A segunda maior causa de vítimas foram confrontos entre forças contra e a favor do governo, mas num valor 16% mais baixo do que no ano anterior.

Culpados

Com responsabilidade em 65% dos casos, os grandes culpados desta violência são as forças contra o governo. Seguem-se os Talebã, culpados por 42% vítimas. O movimento terrorista autodenominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, foi responsável por 10% das vítimas.

O maior ataque aconteceu a 31 de maio, em Cabul, quando um homem-bomba causou a morte de 92 pessoas e feriu perto de 500. 

O alto comissário para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, disse que “ano após ano, as pessoas do Afeganistão continuam a viver com insegurança e medo, enquanto que os responsáveis por terminarem e arruinarem vidas escapam sem punição.” 

Zeid disse que a maioria destes ataques constituem crimes de guerra e que os seus culpados devem ser identificados e responsabilizados.

Mulheres e crianças

Apesar da descida geral do número de vítimas, subiu em 5% o número de mulheres mortas em comparação ao ano anterior.

Quanto a crianças, 861 foram mortas e cerca de 2,3 mil feridas, o que representa uma descida de 10%.

 

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