ONU Mulheres diz que progresso para cumprir Agenda 2030 continua lento
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14 fevereiro 2018

Agência divulgou relatório, nesta quarta-feira, sobre temas como violência sexual e trabalho não-remunerado; dentre países lusófonos, Brasil é destacado por delegacias de atendimento à mulher, já Guiné-Bissau pela mutilação genital feminina.

Alexandre Soares, da ONU News em Nova Iorque.*

Um relatório da ONU Mulheres, lançado esta quarta-feira, sublinha as dificuldades que as mulheres continuam a enfrentar em todo o mundo e faz uma série de recomendações para atingir os objetivos da Agenda 2030.

O relatório “Tornando promessas em ação: Igualdade de género na Agenda 2030”  é o retrato mais completo, até ao momento, do progresso feito para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A apresentação foi feita na sede da ONU pela diretora-executiva da ONU Mulheres.

Progresso lento

Phumzile Mlambo-Ngcuka disse que “o relatório revela que em muitas áreas o progresso continua lento para atingir os objetivos  em 2030. Mesmo onde é feito, ele pode não chegar às mulheres e meninas que mais precisam deste avanço e que estão a ser deixadas ainda mais para trás.”

Mlambo-Ngcuka explicou que uma das áreas que precisam de mais melhorias é a taxa de pobreza para mães solteiras, dando vários países como exemplo, incluindo os Estados Unidos, a Espanha e o Brasil.

A chefe da ONU Mulheres acredita que “é preciso garantir que é dada a maior prioridade à saúde das mulheres e dos seus bebês, que a dor das mulheres é levada a sério, e que se acredita nas mulheres quando elas se queixam.”

Violência e trabalho

O relatório cita casos específicos em países como África do Sul, Colômbia, Estados Unidos, Nigéria, Paquistão e Uruguai. São analisados o de trabalho não remunerado de pessoas que cuidam de familiares e também a violência a mulheres.

A ONU diz que, apesar de uma em cada cinco mulheres ter sido vítima de violência física e/ou sexual por um parceiro no último ano, 49 países ainda não têm leis para estes casos. 

Novos dados mostram também que, nos 89 países com estatísticas disponíveis, mais 4,4 milhões de mulheres vivem com menos de US$ 1.90 por dia.

Esta diferença é explicada pelo número de mulheres que cuidam de outros, como crianças e idosos, sem qualquer pagamento. As mulheres são quase três vezes mais prováveis de fazer este trabalho do que um homem.

Lusófonos

Quatro países lusófonos estão na lista de 47 nações onde o número de mulheres e meninas entre os 15 e os 49 anos que foi vítima de violência sexual é significante.

Aparecem na lista, Timor-Leste, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, onde cerca de 14% das mulheres e meninas foram vítimas deste crime entre 2003 e 2016.

São Tomé e Príncipe também surge no relatório como o país onde mais mulheres e meninas vivem em favelas, definidas como zonas sem acesso a água potável, condições sanitárias ou casas resistentes.

Entre 2003-2016, perto de 90% das são-tomenses viviam nestes espaços degradados.

O relatório destaca o Brasil na criação de instituições dedicadas a mulheres. Os autores partilham o exemplo das Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher.

Existiam, em 2016, 450 destas delegacias em todo o país. O relatório diz, no entanto, que as zonas rurais são muitas vezes deixadas de fora e que as delegacias falharam na assistência devido à falta de pessoal qualificado.

A Guiné-Bissau surge também entre os países onde mais mulheres são vítimas de Mutilação Genital Feminina.

*Apresentação: Monica Grayley.

 

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