Em reunião sobre Mianmar, Conselho de Segurança é alertado sobre “catástrofe”

13 fevereiro 2018

Aviso foi dado pelo chefe da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, Filippo Grandi, que falou por videoconferência na primeira sessão sobre o país asiático este ano.

Alexandre Soares, da ONU News em Nova Iorque.

O alto comissário para Refugiados, Filippo Grandi, disse esta terça-feira, no Conselho de Segurança, que a comunidade internacional está numa luta contra o tempo para evitar a morte de mais refugiados rohingya no Bangladesh.

Grandi disse que a época das monções começa em março e que a ONU estima que 107 mil refugiados vivam em zonas de risco para cheias e deslizamentos.

Resposta de emergência

O chefe do Acnur disse que “dezenas de milhares de refugiados vulneráveis, que estão em risco, precisam de ser urgentemente realocados” e que abrigos têm de ser reforçados, pontes construídas e novos terrenos escolhidos.

Grandi foi um dos participantes da primeira sessão do ano sobre Mianmar no Conselho. Ele explicou que o governo bengalês está a conduzir um esforço massivo de preparação para emergência, “mas o apoio internacional tem de aumentar para evitar uma catástrofe.”

O alto comissário disse também que o regresso dos rohingya a Mianmar ainda não é possível, porque as causas da sua luta não foram resolvidas. Grandi falou em negação de direitos humanos, como a falta de cidadania.

Progresso

Já o secretário-geral assistente de Departamento de Assuntos Políticos Miroslav Jenca também discursou no encontro.

Jenca disse que houve progresso nas três prioridades estabelecidas pelo secretário-geral da ONU, mas que algumas ainda não foram implementadas.

O secretário-geral assistente garantiu que “os atos de violência diminuíram, mas persistem preocupações com ameaças e intimidação para com a população rohingya.”

Ele disse também que o acesso das organizações humanitárias continua a ser impedido ou altamente restrito. Jenca garantiu que “a ONU não tem acesso suficiente para fazer uma avaliação completa da situação humanitária e de direitos humanos.”

Jornalistas

O secretário-geral assistente referiu-se também os dois jornalistas da agência Reuters que se encontram detidos em Mianmar.

Jenca lembrou o pedido do secretário-geral Guterres de libertação deles e disse que “a capacidade de exercer o direito de informação e expressão é um barômetro do respeito pelos direitos humanos. ”