Guiné-Bissau: mais de 200 comunidades deixam mutilação genital feminina

6 fevereiro 2018

Decisão foi tomada em 2017; Escritório da ONU e Fundo das Nações Unidas para a População apoiam estudo sobre situação de práticas nefastas e violência doméstica.

Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News.

O Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina é assinalado esta terça-feira com o lançamento de um estudo sobre a situação de práticas prejudiciais e violência doméstica na Guiné-Bissau.

A pesquisa realizada pela Liga Guineense dos Direitos Humanos contou com o apoio técnico do Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa.

Igualdade de género 

Falando a ONU News em Bissau, a representante do Unfpa no país, Kourtoum Nacro, explicou como a parceria com 10 instituições público-privadas ajudou a combater a mutilação genital feminina. Ela frisou os resultados da abordagem multidisciplinar empreendida pela agência em 2016.

"Ajudou a produzir os seguintes resultados essenciais em 2017: declarações públicas de abandono da prática da MGF por 32 comunidades; primeiro estudo socio-antropológico, mapeamento da MGF na Guiné-Bissau e produção de uma canção de advocacia especial e o respetivo vídeo para a erradicação da prática".

O estudo enquadra-se no âmbito do projeto sobre promoção de direitos, igualdade de género e empoderamento de mulheres.

A meta do projeto é melhorar o acesso a informação para apoiar o governo e as instituições nacionais na definição e reformulação de políticas e estratégias com vista a combater práticas prejudiciais como a mutilação genital feminina.

Zero caso

No seu discurso de lançamento do estudo, Kourtoum Nacro destacou a colaboração entre o Unfpa e o Ministério da Mulher, Família e Solidariedade Social na luta contra a Mutilação Genital Feminina. A representante reforçou a ideia de uma atuação coordenada com vista a erradicação da MGF na Guiné-Bissau até 2030.

"Estender os agradecimentos a todos os parceiros que connosco têm trabalhado ao longo destes anos na sensibilização, formação e capacitação de diferentes grupos sociais nas problemáticas de género, incluindo a MGF. Só assim seremos capazes de realizar este objetivo de erradicar a MGF na Guiné-Bissau com apoio incondicional do Unfpa".

Novas estratégias

Apesar de ser proibida legalmente, ativistas dos direitos humanos acreditam que a mutilação genital feminina continua a assombrar algumas comunidades guineenses.

Eles denunciam estratégias de violentar crianças com esta prática logo a nascença ou uma semana mais tarde.

Abandono

Dados de entidades envolvidas no tema indicam que só no ano passado, mais de 200 comunidades abraçaram em atos públicos a iniciativa de abandono à mutilação genital feminina e a falta de escolarização das meninas.

A iniciativa tem o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, entre outras agências da ONU.

 

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