Unicef afirma que janeiro foi mês sombrio para crianças do Oriente Médio
BR

5 fevereiro 2018

Enquanto fugiam de zonas de conflito, menores foram assassinados ou mortos em ataques e alguns morreram de frio extremo; agência da ONU destaca que esta situação é "simplesmente inaceitável".

Leda Letra, da ONU em Nova Iorque.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgou uma nota esta segunda-feira afirmando que janeiro foi um "mês sombrio" para as crianças no Oriente Médio e no norte da África. Os conflitos e violência na região causaram um impacto enorme sobre as crianças.

O diretor do escritório do Unicef no Oriente Médio, Geert Cappelaere, explica que dezenas de crianças "foram mortas em conflitos ou ataques suicidas" e "morreram congeladas" enquanto fugiam de zonas de guerra.

Frio severo

Ele declarou ser "simplesmente inaceitável que as crianças continuem sendo assassinadas ou feridas todos os dias". Somente em janeiro, 83 menores foram mortos pela violência no Iraque, na Líbia, na Palestina, na Síria e no Iêmen.

Segundo Cappelaere, a intensificação do conflito sírio matou 59 crianças nas últimas quatro semanas. Já no Iêmen, o Unicef conseguiu confirmar 16 menores mortos em ataques em várias áreas do país e a agência continua recebendo relatos diários da violência.

No Líbano, o inverno severo matou 16 pessoas, incluindo quatro crianças, que não sobreviveram às baixas temperaturas após fugirem da Síria.

Trauma

O representante do Unicef explica que "milhões de menores de idade no Oriente Médio e norte da África tiveram sua infância roubada, estão traumatizadas, várias foram detidas, exploradas, não conseguem ir para a escola ou ter acesso a serviços de saúde, além de terem negado o direito básico de brincar".

Cappelaere lamenta a falha coletiva em evitar que a guerra afete as crianças. Para ele, não há justificativas e nem razões para aceitar a situação como normal.

O representante do Unicef destaca que "proteger as crianças é primordial em todas as circunstâncias, de acordo com a lei da guerra e quebrar essa lei é um crime hediondo que ameaça o futuro de todos, não apenas das crianças".

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