Coreia do Norte e nações africanas entre as crises mais esquecidas do mundo
BR

23 janeiro 2018

Relatório “Sofrendo em Silêncio”, da organização Care traz dados da Agência da ONU para Refugiados e lista os 10 países que menos recebem atenção da mídia; maioria das nações é da África, além do Vietnã e do Peru.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque. 

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, divulgou os resultados do levantamento “Sofrendo em Silêncio”, que lista os 10 países que enfrentam crises humanitárias, mas que recebem pouca atenção dos meios de comunicação. O relatório foi preparado pela organização internacional Care, com dados da agência da ONU.

A Coreia do Norte vem em primeiro lugar. Segundo o Acnur, o programa nuclear do país ganha as manchetes dos jornais, mas pouca atenção se dá para a situação humanitária da nação asiática.

Alimentação

A ONU calcula que 18 milhões de pessoas, ou 70% da população norte-coreana não têm comida suficiente, dependendo da ajuda do governo. Dois entre cinco norte-coreanos estão desnutridos.

Outras crises que são esquecidas, segundo o relatório, acontecem nos seguintes países: Eritreia, Burundi, Sudão, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Mali, países da Bacia do Lago Chade (Camarões, Níger e Chade), Vietnã e Peru, país onde mais de 200 mil casas foram destruídas por enchentes no ano passado.

Financiamento

Segundo o Acnur, 1,3 milhão de pessoas ao todo precisaram abandonar suas casas e abandonar o Burundi, a República Centro-Africana, o Mali e as nações da Bacia do Lago Chade.

O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, explicou haver ligação direta entre a atenção dada pela mídia e o dinheiro que segue para a ajuda humanitária.

Segundo ele, “a mídia tem papel essencial em chamar a atenção do público para crises negligenciadas e esquecidas”. Grandi destacou que “apesar das consequências trágicas para milhões de pessoas afetadas por conflitos e deslocamentos, ainda existe uma lacuna entre as necessidades humanitárias e o dinheiro disponível” para atender a essas crises.

O chefe do Acnur afirma que as previsões para 2018 são sombrias, já que existe “fraca vontade política” de resolver conflitos.