Refugiados sírios no Líbano estão cada vez mais pobres
BR

9 janeiro 2018

Pesquisa de agências da ONU mostra que mais da metade, ou 500 mil, enfrenta pobreza extrema, vivendo com menos de US$ 2,87 por dia; entre 10 refugiados, nove têm dívidas e emprestam dinheiro para comprar comida e pagar aluguel.

Pesquisa de agências da ONU mostra que mais da metade, ou 500 mil, enfrenta pobreza extrema, vivendo com menos de US$ 2,87 por dia; entre 10 refugiados, nove têm dívidas e emprestam dinheiro para comprar comida e pagar aluguel.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

Existem 1 milhão de sírios registrados como refugiados no Líbano e mais da metade vive na pobreza extrema, com menos de US$ 2,87 por dia. O dado está em uma pesquisa produzida por agências da ONU e divulgada nesta terça-feira.

O levantamento foi preparado pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur; pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA.

Incertezas

Após sete anos de conflito, os sírios vivendo no Líbano estão ainda mais vulneráveis e existe uma “incerteza” sobre como será o financiamento humanitário neste ano.

Mais de três quartos dos sírios refugiados no Líbano vivem com menos de US$ 4 por dia. Mensalmente, as famílias gastam em média US$ 98 por pessoa, sendo que metade vai para a compra de alimentos

Entre 10 refugiados, nove afirmam que têm dívidas e é comum pedir dinheiro emprestado para comprar comida, pagar despesas de saúde e aluguel. A pesquisa mostra ainda que o nível de insegurança alimentar continua alto, afetando 91% das famílias.

Residência legal

Um outro desafio é obter residência legal, o que aumenta o risco dos refugiados serem detidos, dificulta que encontrem trabalho ou enviem seus filhos à escola. Apenas 19% das famílias confirmaram que todos os integrantes têm residência legal.

O Acnur destaca que 74% dos sírios com 15 anos ou mais não têm residência legal no Líbano. Para a agência da ONU, os resultados da pesquisa traçam um “retrato alarmante” dos refugiados no país.

Em 2017, foi alcançado apenas 36% do financiamento necessário para fornecer ajuda aos civis da Síria que vivem no Líbano. O plano de resposta humanitária para 2018 está orçado em US$ 2,7 bilhões e o Acnur afirma ser mais vital do que nunca que os doadores contribuam para diminuir a pobreza desses refugiados.