Relatoras dizem que Filipinas têm que proteger povos indígenas
BR

28 dezembro 2017

Especialistas em direitos humanos emitiram comunicado alertando para impacto "maciço" das ações militares na ilha de Mindanao, que também foi afetada por  tempestade tropical no sábado; meteorologia prevê mais chuvas.

Especialistas em direitos humanos emitiram comunicado alertando para impacto "maciço" das ações militares na ilha de Mindanao, que também foi afetada por  tempestade tropical no sábado; meteorologia prevê mais chuvas.

Manuel Matola, da ONU News em Nova Iorque.

Especialistas das Nações Unidas* exortaram o governo das Filipinas a proteger os direitos dos povos indígenas que viven na ilha de Mindanao.

Em nota conjunta, divulgada esta quarta-feira, a relatora especial sobre os direitos dos povos indígenas.

Ataques militares

Victoria Tauli-Corpuz, e a relatora especial sobre deslocados internos, Cecilia Jimenez-Damary, afirmaram que a lei marcial imposta no país está a ter um “impacto enorme e potencialmente irreversível” sobre os direitos básicos das comunidades indígenas. Elas citaram casos na ilha de Mindanao, que foi afetada também por uma tempestade tropical no sábado.

Segundo as relatoras,  é preocupante a situação da segurança dos indígenas Lumad, que teriam sido ameaçados com ataques militares. A comunidade Lumad representa 10% da população filipina.

As relatoras da ONU dizem ainda temer que a violação dos direitos humanos contras os indígenas possa se deteriorar com a extensão da lei marcial até o final de 2018.

O comunicado sugere que desde outubro, pelo menos 2,5 mil indígenas Lumas foram deslocados das suas zonas de origem e que há relatos de casos de agricultores que teriam sido mortos, segundo alegações, por elementos das forças militares na província de Cotabato.

Temporal

Segundo agências de notícias, no fim de semana, pelo menos 200 pessoas morreram e cerca de 100  desapareceram após a ilha de Mindanao, nas Filipinas, ter sido devastada pela tempestade tropical Tembin, que é localmente conhecida como “Vinta”.

Em entrevista à ONU News, o reponsável pelo Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, nas Filipinas, Mark Bidder, falou de uma destruição muito maior do que a prevista, e apontou os esforços que estão a ser feitos no terreno após a passagem da tempestade tropical.

Bidder disse que por se tratar de um período de ocorrência de temporal, prevê-se que nas próximas semanas possam ocorrer outras tempestades. Por isso, a agência da ONU para assistência humanitária está a trabalhar com o governo local para dar assistência às pessoas cujas casas ficaram completamente destruídas e não têm para onde ir.

A tempestade, que ocorreu na sequência de enchentes e deslizamentos de terra afetou quase 270 mil pessoas, sendo que 160 mil civis ficaram desabrigados em várias cidades das Filipinas.

*Os relatores são independentes e não recebem salário pela sua atuação com o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

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