Unicef avalia 2017 como um “ano horrível” para as crianças do Iêmen
BR

27 dezembro 2017

Somente em dezembro, mais de 80 menores foram mortos ou ficaram feridos devido ao conflito; milhões enfrentam epidemia de cólera, fome e sofrem com a falta de acesso ao sistema de saúde.

Somente em dezembro, mais de 80 menores foram mortos ou ficaram feridos devido ao conflito; milhões enfrentam epidemia de cólera, fome e sofrem com a falta de acesso ao sistema de saúde.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

As crianças do Iêmen não poderiam ter tido um ano pior do que 2017, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. A representante da agência no país conversou com a ONU News direto da capital Sanaa.

Meritxell Relaño declarou que este ano “foi horrível” para as crianças iemenitas. Segundo ela, somente em dezembro, mais de 80 menores foram mortos ou ficaram feridos devido ao conflito.

Hospitais

Além disso, milhões enfrentam epidemia de cólera, crise de fome, falta de acesso ao sistema de saúde e bloqueios que impedem a entrada no país de itens de ajuda muito necessários.

A representante do Unicef faz um apelo por uma solução política para o que é, nas palavras dela, “um conflito criado pelo ser humano” e que já ocorre há quase três anos. Sem essa solução, Relaño acredita que mais crianças poderão morrer.

Ela relembrou um encontro que teve com uma mulher e seu filho de sete anos em um hospital em Áden: o menino estava “pele e osso” e segundo a mãe, não foi possível ir ao hospital antes porque não havia dinheiro para a passagem de ônibus.

Pobreza extrema

Meritxell Relaño explica que o nível de pobreza enfrentado pelas famílias do Iêmen atingiu um patamar insustentável. Segundo ela, 1,3 milhão de famílias (ou 8 milhões de pessoas) estão recebendo assistência em dinheiro, graças a uma parceria entre Unicef e Banco Mundial.

A agência da ONU também conseguiu neste ano entregar vacinas e implementar uma campanha de imunização contra a pólio, beneficiando 5 milhões de crianças, além de fornecer tratamento para 200 mil menores com desnutrição aguda.

A representante do Unicef destacou que “os iemenitas que trabalham para ajudar outros iemenitas são os verdadeiros herois do país”, mencionando os esforços de autoridades locais, médicos, enfermeiros e professores.

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