Mianmar recusa entrada de especialista de direitos humanos
BR

20 dezembro 2017

Relatora afirma que negativa indica que “algo terrivelmente horrível deve estar ocorrendo em Rakhine e no resto do país”; mandato da perita prevê duas deslocações ao país por ano para produzir informações para a ONU.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

O Governo de Mianmar recusou o acesso ao país da relatora especial sobre os direitos humanos, Yanghee Lee. A visita dela estava prevista para janeiro.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU declarou que a viagem seria para avaliar a situação em Mianmar, incluindo abusos contra a minoria rohingya no estado de Rakhine.

Mandato

Em nota emitida esta quarta-feira, em Genebra, Lee disse estar “confusa e decepcionada com essa decisão”. Para ela, a falta de colaboração com o seu mandato só pode ser vista como uma “forte indicação de que deve haver algo terrivelmente horrível ocorrendo em Rakhine e no resto do país”.

A expectativa da especialista é que Mianmar reconsidere a decisão.

Há duas semanas, o embaixador de Mianmar na ONU em Genebra reiterou no Conselho de Direitos Humanos a “sua cooperação contínua” com a organização.

Declaração

A especialista declarou que a decisão de não mais cooperar com ela tem como base a declaração feita depois de Lee ter visitado o país em julho.

O governo teria encarado as palavras dela como “tendenciosas e injustas”.

O mandato de relatora prevê duas deslocações ao país por ano para produzir um informe a ser apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos e à Assembleia Geral.

Assista ao vídeo sobre a situação humanitária em Cox's Bazar, produzido pela ONU News.

Pedidos de visita

Lee visitou Mianmar seis vezes desde 2014. Ela afirmou que apesar da resposta positiva do governo aos pedidos anteriores de visita, o acesso a algumas áreas foi consistentemente recusado alegando preocupações de segurança.

A nota destaca ainda que o Mianmar também não coopera com a missão internacional independente do Conselho dos Direitos Humanos que apura informações sobre o país.

Para a especialista, é “uma pena que Mianmar tenha decidido seguir esta via”. Lee disse que várias vezes o governo rejeitou a existência de violações de direitos humanos que ocorrem em todo o país, em particular no estado de Rakhine.

*Apresentação: Monica Grayley.

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