Enviado da ONU volta a alertar sobre retórica provocadora no Oriente Médio
BR

18 dezembro 2017

Coordenador para processo de paz na região comentou a situação política após presidente Donald Trump anunciar que os Estados Unidos reconheciam Jerusalém como capital de Israel; informe ao Conselho de Segurança destaca aumento de riscos.

Coordenador para processo de paz na região comentou a situação política após presidente Donald Trump anunciar que os Estados Unidos reconheciam Jerusalém como capital de Israel; informe ao Conselho de Segurança destaca aumento de riscos.

Eleutério Guevane, da ONU em Nova Iorque.*

O coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio disse que  nível de retórica provocadora entre as partes da região “aumentou desde 6 de dezembro, incluindo os apelos para escalada, violência e intifada.”

Nickolay Mladenov falou esta segunda-feira no Conselho de Segurança, pela segunda vez este mês, após o anúncio do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos reconheceriam oficialmente Jerusalém como a capital de Israel.

Fatah e Hamas

Mladenov disse que a facção palestina Fatah continua a celebrar ataques a Israel, incluindo um ato que matou forças de segurança. Estes ataques são anunciados nas redes sociais do movimento.  Ele acrescentou que o Hamas aplaudiu esfaqueamentos ocorridos em pontos de ônibus e organizou comícios em Gaza e na Cisjordânia.

Já políticos de Israel “fizeram provocações durante o período”, que incluem um pedido de revisão do estado da área entre o Rio Jordão e o mar ou o reconhecimento da Judeia e da Samaria.

Ações Unilaterais

Mladenov disse estar preocupado porque as partes podem voltar a cometer mais ações unilaterais.

Para o coordenador, no ambiente atual a falta de uma proposta crível que pode servir de base para negociações está prejudicando a possibilidade de paz. A fraqueza da arquitetura internacional em apoio à paz também aumenta os riscos na região.

Mladenov considera haver falta de passos significativos que protejam a viabilidade de uma solução de dois Estados e que “o estatuto de Estado da Palestina está a minar os moderados e a dar poder aos radicais”.

Ele disse ao Conselho que os residentes da Faixa de Gaza continuam a viver com quatro horas de energia por dia. Mas elogiou o fato de ministros de Finanças dos dois lados terem retomado o diálogo.

*Apresentação: Monica Grayley.

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