Chefe de operações de paz elogia contribuição de países lusófonos à ONU
BR

13 dezembro 2017

Em entrevista exclusiva à ONU News, Jean-Pierre Lacroix destacou presença do Brasil no Haiti, por 13 anos, e a atuação de Portugal em várias missões de paz incluindo a operação atual na República Centro-Africana, Minusca.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.

A atuação de países de língua portuguesa nas forças de paz da ONU representa uma contribuição importante.

A declaração é do subsecretário-geral das Nações Unidas para Manutenção das Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix.

Marinha

No mês passado, o diplomata francês esteve no Rio de Janeiro para participar de um evento com a Marinha do Brasil, que analisou a cooperação do país à Missão de Estabilização da ONU no Haiti, Minustah, liderada por generais brasileiros durante 13 anos até o encerramento das operações em outubro passado.

Em entrevista à ONU News, Jean-Pierre Lacroix diz que os países de língua portuguesa representam uma importante colaboração às forças de paz.

“Nós temos contribuições não somente do Brasil, mas também de outros países de língua portuguesa. Portugal tem um contingente muito importante, muito eficaz na República Centro-Africana. E eu acho que geralmente tem um potencial importante para a contribuição daqueles países. E no futuro, eu acho que a gente vai continuar, neste sentido, trabalhando com aqueles países.”

Qualidade

Ao lembrar da participação brasileira no Haiti, Lacroix destacou a qualidade técnica dos militares do país.

“Eu acho que o Brasil fez a diferença no Haiti. E eu acho que era muito importante e adequado para nós reconhecermos esta contribuição. Os soldados brasileiros e as forças que participaram, demonstrado um nível profissionalismo e competência muito elevado. ”

A ONU tem atualmente 15 operações de paz no mundo com uma presença de 110 mil pessoas. Deste total, cerca de 4% são mulheres em postos militares.

Durante uma conferência de países que contribuem com tropas em Vancouver, no Canadá, muitas nações prometeram ampliar a cooperação e também promover mais participação feminina no terreno.

Reação rápida

E de acordo com o subsecretário-geral, as mulheres fazem mesmo a diferença nas forças de paz.

“Nós precisamos de mais mobilidade, mais capacidade de reação rápida, mais mulheres nas missões, mais mulheres oficiais militares e oficiais de polícia. E, eu acho que são várias áreas em que os países de língua portuguesa podem ajudar. ”

Até 2020, a ONU quer dobrar o número de mulheres servindo em missões de paz como boinas-azuis em contingentes militares e policiais.

A organização também se concentra em ampliar oportunidades de treinamentos para policiais e militares femininas em cargos de comando.

No próximo mês, a ONU organizará um curso de desenvolvimento para mulheres comandantes de forças policiais. O evento deve ocorrer de 14 a 19 de janeiro, em Kuala Lumpur, Malásia.

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