Acnur: “Rohingyas continuam a chegar a Bangladesh”
BR

8 dezembro 2017

Acordo de retorno voluntário entre o país e Mianmar foi assinado há duas semanas; agência da ONU defende que decisão sobre futuro das pessoas do grupo minoritário deve ser de escolha própria e bem informada.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, afirmou que pessoas do grupo minoritário rohingya continuam a chegar em Bangladesh duas semanas após a assinatura do acordo sobre o repatriamento voluntário entre o país e  Mianmar.

Em nota publicada esta sexta-feira em Genebra, a agência destaca que restaurar a paz e a estabilidade, garantindo o acesso humanitário completo e abordando as causas profundas do deslocamento, devem ser precondições para um retorno de acordo com os padrões internacionais.

Tempo e circunstâncias

O Acnur disse que trabalha em colaboração com o Bangladesh para discutir o tema, apesar de não fazer parte do pacto. A agência aparece mencionada no texto do acordo que prevê que seja criado um Grupo de Trabalho Conjunto até 14 de dezembro.

Entretanto, reitera que todos os refugiados têm o direito de retornar, mas isso “deve acontecer voluntariamente e somente quando as pessoas sentirem ser tempo e haver circunstâncias para tal”.

Dignidade

O Acnur disse estar pronto para fazer parte desse grupo e para ajudar os dois governos a trabalhar para que os refugiados exerçam seu direito de retornar livremente, com segurança e com dignidade. Mas destaca que o repatriamento deve ser voluntário.

De acordo com a agência, muitos rohingya que fugiram para Bangladesh antes e depois de 25 de agosto sofreram graves atos de violência e traumatismos. Alguns deles perderam familiares e amigos.

Regresso apressado

Muitos tiveram suas casas e aldeias foram incendiadas e destruídas e continuam divisões profundas entre as comunidades que não têm atendimento nem acesso humanitário adequado. Para o Acnur, é essencial que os regressos não sejam apressados ou prematuros.

A nota defende que os refugiados devem ter informações precisas sobre as condições nas áreas de origem e que “em última análise, sua decisão sobre o seu futuro deve ser de escolha própria e bem informada”.

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