Acnur: Não há “condições para retornos seguros” de rohinyas a Mianmar
BR

24 novembro 2017

Agência da ONU pede que sejam criadas estruturas dentro de padrões internacionais; reação surgiu na sequência do acordo sobre o retorno do grupo minoritário o estado de Rakhine, assinado entre Mianmar e Bangladesh.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque. 

Atualmente, não existem condições suficientes para permitir retornos seguros de pessoas da comunidade rohingya ao estado de Rakhine em Mianmar.

As declarações foram feitas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, que revelou que os refugiados ainda fogem da violência, de estupros e danos psicológicos.

Detalhes

A agência reage a relatos de assinatura de um acordo entre os governos de Bangladesh e do Mianmar sobre o retorno dos refugiados rohingya ao país. Mas alertou que “ainda não tem detalhes” sobre a medida.

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz da agência Adrian Edwards disse que os refugiados têm o direito de retornar, mas que seria preciso uma estrutura, que lhes permitisse exercer esse direito dentro de padrões internacionais.

O representante declarou que em primeiro lugar, esse regresso “seria voluntário, em condições seguras e dignas que abram caminho para soluções duradouras”.

Segundo a agência das Nações Unidas, vários rohingya testemunharam a morte de familiares e amigos. A maioria deles teve suas casas e aldeias destruídas.

Divisões Profundas

Os outros problemas são as “divisões profundas entre as comunidades” e o que o Acnur considera ''negligenciável acesso humanitário" ao norte do estado de Rakhine.

Estima-se que 622 mil pessoas tenham fugido do estado de Mianmar desde 25 de agosto, após a onda de violência que segundo o Acnur é “sustentada pela negação da cidadania e por décadas de profunda discriminação”.

Para a agência, é essencial que os retornos não aconteçam de forma precipitada ou prematura, sem o consentimento informado dos refugiados ou elementos básicos das soluções duradouras no destino.

A agência defende ainda que as pessoas devem ter a opção de voltar para casa e não se limitarem a áreas específicas.

O Acnur considera essencial avançar para abordar as causas profundas da fuga, que incluem a falta de cidadania.

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